“Apesar de Dorothy, as pessoas ainda morrem no campo”, alerta ambientalista após 15 anos da morte de missionária no PA

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Irmã Dorothy Stang — Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo Comitê Dorothy, nos últimos cinco anos, 19 pessoas já foram mortas em Anapu por conflitos agrários.

Após 15 anos da morte da missionária americana Dorothy Stang, no município de Anapu, sudoeste do Pará, o número de homicídios na região segue uma tendência alarmante. Segundo o Comitê Dorothy, entidade que luta pelos direitos humanos no campo, nos últimos cinco anos, 19 pessoas já foram mortas no município por conflitos agrários. Segundo a diretora do Comitê, Alcidema Magalhães, apesar da morte da missionária, outros ambientalistas seguem morrendo no campo.

“Em relação a esses casos em Anapu, apenas um foi judicializado. A impunidade segue no campo. Apesar da morte da Dorothy, isso não foi suficiente para garantir a segurança no campo. As pessoas continuam morrendo”, alerta Alcidema.

Para relembrar a memória e luta de Dorothy, o Comitê realiza nesta quarta-feira (12) um ato especial, que marca os 15 anos da morte da missionária. A concentração começa às 18h, na Praça do Operário.

O crime

A missionária americana, Dorothy Stang, foi morta em uma emboscada no município de Anapu, sudoeste do estado, com seis tiros a queima roupa. Ela tinha 73 anos e trabalhava junto a comunidades no município em projetos de desenvolvimento sustentável, o chamado PDS Esperança.

Segundo o Ministério Público, a morte da missionária foi encomendada pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos e Regivaldo Galvão. Amair Feijoli da Cunha, que teria recebido dinheiro de Viltamiro para executar a missionária, foi condenado a 18 anos de prisão como intermediário do crime.

Rayfran das Neves Sales, condenado a 27 anos de prisão por ser assassino confesso de Dorothy Stang, deixou o regime fechado para cumprir o restante da pena em prisão domiciliar em julho de 2013. Clodoaldo Carlos Batista, acusado de ser comparsa de Rayfran, foi condenado a 17 anos de prisão e deixou a Casa do Albergado, localizada em Belém, em fevereiro de 2011.

Mesmo com as prisões, Alcidema conta que a prisão dos acusados de executarem a missionária foi um caso isolado. Segundo ela, outros homicídios sequer foram investigados e os mandantes seguem impunes.

“Os julgamentos da Dorothy foram muito importantes, mas não suficientes. Mesmo com as condenações, outras pessoas continuaram morrendo. Isso faz com que haja uma necessidade de continuar essa luta”.

Por G1 PA — Belém

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