Desmatamento na Amazônia Legal atinge 797 km² em maio- Pará responde por 40%

Observatório do Clima aponta ataque de Bolsonaro a povos tradicionais e ao meio ambiente (Mayke Toscano/Gcom-MT)

Pará responde por 40% do total detectado de áreas desmatadas
O Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia divulgou nesta sexta-feira (21) o Boletim do Desmatamento (SAD), que mostra a perda de uma área de 797 km² na Amazônia Legal no mês de maio deste ano, um aumento de 26% na comparação com o mesmo período de 2018, quando foi registrado o desmatamento de 634 km² de florestas.

A tendência de aumento segue também no acumulado de agosto de 2018 a maio de 2019, que apresentou um aumento de 22% de áreas desmatadas em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O boletim mostra, ainda, que um terço do desmatamento se deu em Unidades de Conservação (34%). A Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, no Pará, foi a UC mais desmatada, com 132 km². Ainda no mesmo estado, a Floresta Nacional do Jamanxim e a Estação Ecológica Terra do Meio também registraram números críticos: 23 km² e 12 km² de devastamento, respectivamente. Isso revela que essas áreas, que deveriam ter desmatamento zero, estão sob severo ataque.

O Pará foi o estado que registrou maior índice de desmatamento, com 40% do total detectado pelo SAD, seguido pelo Amazonas (20%) e Mato Grosso (19%). O Estado também lidera o desmatamento na região, no acumulado de agosto de 2018 a maio de 2019, com 1.110 km² (30% de variação).

Já na degradação florestal, quando existe o corte seletivo das árvores ou ação de queimada, o Amazonas liderou o ranking com 48% do total de 76 km² degradados na Amazônia Legal.
Redação Integrada
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Brasil pode liderar ‘nova economia florestal’ com reflorestamento de espécies nativas e madeira certificada

Floresta Nacional do Tapajós — Foto: Marcelo Brandt/G1 -Representantes do setor que atua na exploração comercial de madeiras estudam modelos de mercado que conciliam exportações, lucro e preservação das florestas.
Com investimentos na restauração de áreas nativas e a ampliação das vendas de madeira certificada, o Brasil poderia se tornar um líder global do que alguns especialistas do setor de florestas chamam de “uma nova economia florestal”.

Representantes de ONGs e empresas ligadas à exploração comercial e à certificação de madeiras atualmente estudam formas de promover concretamente um modelo de mercado que concilie o lucro com a preservação das florestas e as metas de reflorestamento.

Apostas de longo prazo no manejo de florestas seriam parte do processo. Isso envolve:

Reflorestar áreas de florestas nativas desmatadas;
Conciliar a produção de madeiras com outras culturas agrícolas;
Produzir mais madeira certificada, cuja origem não só obedece a lei, mas segue parâmetros de sustentabilidade ainda mais rígidos. (Entenda, abaixo, como saber se a madeira tem boa origem.)

Recuperar florestas nativas

Os principais produtos do setor florestal atualmente são madeira, papel e celulose. Boa parte da madeira brasileira é exportada. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que em 2018 o Brasil vendeu para o exterior o equivalente a R$ 3,2 bilhões em madeira e seus derivados (madeira serrada, compensada, laminada, em painéis, obras de marcenaria, etc).

Embora o setor venha expandindo as exportações nos últimos dez anos (veja o gráfico abaixo), o diretor do programa de florestas do “World Resources Institute” no Brasil (WRI Brasil), Miguel Calmon, avalia que ainda é possível aumentar em muito as vendas internacionais.

“Nos últimos 15 anos os Estados Unidos e China se mantiveram como principais destinos das exportações de madeira serrada tropical do Brasil”, diz ele.

De acordo com o Forest Stewardship Council (FSC), conselho responsável pelas normas de certificação de madeiras, o setor florestal emprega diretamente cerca de 610 mil pessoas no Brasil.
Exportação de madeira do Brasil e seus manufaturados
A forte queda no ano de 2009 foi consequência da crise econômica internacional
Em Bilhões de R$

Florestas plantadas de eucalipto e de pinus no Brasil somam mais de 6,7 milhões de hectares — Foto: Divulgação
Florestas plantadas de eucalipto e de pinus no Brasil somam mais de 6,7 milhões de hectares — Foto: Divulgação

O Brasil tem a segunda maior cobertura florestal do mundo – o que inclui florestas naturais e plantadas – ficando atrás apenas da Rússia. No total, são 516 milhões de hectares de florestas brasileiras. Estima-se que, sozinha, a Amazônia tenha mais de 300 milhões de hectares em florestas tropicais (uma área maior do que toda a Argentina).

Mas enquanto empresas dos Estados Unidos investem cerca de US$ 100 bilhões (R$ 386 bilhões) ao ano em projetos comerciais de reflorestamento, o Brasil se aproxima dos US$ 35 bilhões (R$ 135 bilhões).

Desse total, Calmon explica que o investimento em florestas nativas é quase zero. Além disso, uma parte expressiva da madeira comercializada no Brasil ainda vem do desmatamento ilegal.

O grande desafio, portanto, é como ampliar a produção de madeira sem aumentar o desmatamento. Calmon avalia que é preciso combinar a silvicultura (cultivo de florestas exóticas, principalmente de pinus e eucalipto) a práticas de reflorestamento com espécies nativas do Brasil.

    “O Brasil é muito promissor. Temos uma ótima taxa de crescimento de florestas e uma ampla demanda por reflorestamento.” – Miguel Calmon, do WRI Brasil.

Técnicos do setor, como os da Embrapa, vêm realizando estudos para chegar a propostas concretas de como recuperar áreas desmatadas plantando árvores típicas de cada bioma do país.

Uma vez restauradas, essas florestas também podem ser exploradas comercialmente, desde que haja um manejo adequado: é preciso que sempre se mantenha um nível mínimo de área de floresta e que não se faça o chamado “corte raso”. Esse corte derruba a planta por inteiro, como é normal em florestas de eucalipto e pinus.

“É preciso promover investimento em reflorestamento de florestas nativas que deem retorno financeiro”, afirma Calmon. “Mas é um negócio de longo prazo. O investimento inicial é pesado e não temos ainda um histórico. Nunca uma empresa de capital aberto reportou resultados de reflorestamento de florestas nativas [no Brasil].”

Conciliar a madeira com outras culturas

Entre as espécies nativas com valor econômico, o WRI Brasil lista 30 que vêm sendo estudadas e que apresentam bom potencial para a Mata Atlântica e a Amazônia. Entre elas estão a castanha, o paricá, a araucária, o jequitibá rosa, o pau-brasil, os ipês e o mogno, por exemplo.

30 espécies nativas do Brasil com potencial econômico
Mata Atlântica     Amazônia
Araucária     Castanha
Pau-marfim     Paricá
Jequitibá rosa     Freijó cinza
Jacarandá-da-bahia     Andiroba
Louro-pardo     Tatajuba
Vinhático     Ucuúba
Aroeira do sertão     Mogno
Jatobá     Copaíba
Jenipapo     Ipê amarelo
Pau-brasil     Angelim vermelho
Guanandi     Morototó
Aderne     Parapará
Ipê felpudo     Quaruba verdadeira
Ipê roxo     Marupá
Canafístula     Cumarú
Fonte: WRI Brasil

A primeira questão que se levanta, no entanto, é se essas árvores podem crescer tão rapidamente quanto as espécies usadas em florestas plantadas. O eucalipto, por exemplo, é economicamente viável porque se adapta a diferentes regiões e já é possível derrubá-lo com apenas 5 a 7 anos de idade.

Mas o paricá da Amazônia, por exemplo, apresenta taxa de crescimento equivalente à do eucalipto e já vem sendo usado há mais de uma década no plantio experimental para produção de madeiras.

As pesquisas com espécies nativas têm com um dos desafios encontrar formas de estimular o crescimento das plantas para fins comerciais, mas respeitando seu ritmo natural, para que a qualidade da madeira não seja prejudicada. “Não adianta encher a floresta de adubo se a madeira não for de qualidade”, diz Calmon.

Num período de transição, seria possível integrar as florestas plantadas com plantações de florestas com espécies nativas. Além disso, pode-se plantar numa mesma área árvores para produção de madeiras e plantas de outras culturas agrícolas. O café e o cacau, por exemplo, podem se beneficiar da sombra de árvores maiores.

Como são espécies da flora brasileira, árvores nativas poderiam, segundo a lei atual, até mesmo compor áreas de preservação, como as Reservas Legais, num plano de “manejo florestal sustentável”. Na Amazônia, atualmente esse manejo de florestas nativas permite retirar algo como 3 a 5 árvores a cada 30 anos, no mesmo hectare de terra.

Nas palavras da diretora executiva do FSC, Aline Tristão, “manejo florestal não é desmatamento”.

“É uma atividade produtiva com baixo impacto florestal e social em áreas que se reconstituem e que, depois, podem ser novamente manejadas. Você vai poder usar aquela mesma área por mais tempo.” – Aline Tristão, do FSC

O que é a madeira certificada

Outra parte essencial da “nova economia florestal” é o processo de certificação das madeiras. A madeira certificada é aquela que, além de sair de árvores retiradas dentro dos termos da lei, adota exigências ainda mais rígidas quanto à produção.

Para que a madeira seja certificada, é preciso que a empresa se submeta voluntariamente a um monitoramento constante de suas práticas, seguindo os padrões internacionais do FSC, que, por sua vez, é um Conselho composto por diferentes membros do setor (empresas, ambientalistas, sindicatos, ONGs, etc).

Além disso, não se certificam florestas de áreas desmatadas no Brasil depois de 1994. E as empresas certificadas têm área de conservação em suas propriedades maior do que a legislação exige.

Existem vários tipos de certificados. Mas, basicamente, é preciso que a empresa atenda ao menos estes critérios essenciais:

Obter o licenciamento ambiental e o inventário florestal, ou seja, cumprir as leis vigentes;
    Ter o domínio de toda a área a ser manejada e um planejamento para a propriedade;
    Comprometer-se com o engajamento das comunidades do entorno no processo de produção – o que envolve respeito aos povos indígenas, tradicionais e os direitos dos trabalhadores;
    Utilizar de forma sustentável os diversos recursos da floresta, e não só a madeira;
    Seguir normas técnicas definidas pelo FSC na implementação das atividades de manejo.

 Selos do FSC para produtos de madeira certificada — Foto: Divulgação

Selos do FSC para produtos de madeira certificada — Foto: Divulgação

Quando o consumidor for comprar produtos de madeira, o selo FSC (abaixo) é a garantia de que esses critérios foram obedecidos. A empresa recebe o certificado por 5 anos, mas todo ano passa por auditoria para confirmar que continua seguindo os princípios.

Se tudo correr bem, a tora de madeira já vai para a indústria com o selo de certificação.

“Não é só a questão ambiental que é importante. É preciso empregar pessoas locais e ajudar a desenvolver a região”, diz Aline Tristão. “Você tem que, no mínimo, atender a legislação que existe: ambiental, social, trabalhista, mas também se envolver no engajamento das comunidades.”

 Plantio experimental de paricá na fazenda cristalina em São Domingos do Araguaia/PA — Foto: Divulgação/Ronaldo Rosa/Embrapa

Plantio experimental de paricá na fazenda cristalina em São Domingos do Araguaia/PA — Foto: Divulgação/Ronaldo Rosa/Embrapa

O FSC afirma que o Brasil tem 131 empresas do ramo florestal certificadas e ocupa atualmente o 6º lugar no ranking global de áreas certificadas: são cerca de 7 milhões de hectares certificados (área com tamanho equivalente ao da Irlanda). Desse total, 5 milhões são de plantações florestais e, o restante, de florestas nativas.
Áreas de florestas certificadas no Brasil
Do total de 7 milhões de hectares
Florestas plantadas: 71,43 %Florestas nativas: 28,57 %
Fonte: Forest Stewardship Council (FSC)

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) é uma das associações que realiza a certificação seguindo as normas do FSC, acompanhando tanto a origem da madeira quanto as etapas pelas quais passou até se tornar o produto final (rastreabilidade).

Segundo o gerente de certificações da Imaflora, Leonardo Martin Sobral, toda atividade produtiva causa algum impacto negativo no meio ambiente. Mas um dos pontos principais da certificação é, justamente, a mitigação desses possíveis impactos.

O eucalipto de floresta plantada, por exemplo, tende a ressecar o solo. Portanto, é preciso que a empresa compense de alguma forma esse impacto com uma irrigação adequada, garantindo que as propriedades vizinhas também possam se manter produtivas.

“Isso vai desde o cumprimento do Código Florestal até a qualidade da água, a manutenção da biodiversidade, a proteção de áreas de alto valor para conservação. Se temos uma área de floresta nativa, com fauna endêmica da região, tudo isso precisa ser protegido e monitorado.” – Leonardo Martin Sobral, da Imaflora

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura estimou em 2016 que, por meio do combate à produção de madeira ilegal e duplicando as área de manejo florestal com madeira certificada, o Brasil poderia aumentar o seu Produto Interno Bruto (PIB) em R$ 3,3 bilhões ao ano. E a arrecadação de impostos cresceria cerca de R$ 250 milhões.

 Castanheiras em Itaúba/MT, em campo de pesquisa e transferência de tecnologia com a castanha-do-brasil — Foto: Divulgação/Gabriel Rezende Faria/Embrapa

Castanheiras em Itaúba/MT, em campo de pesquisa e transferência de tecnologia com a castanha-do-brasil — Foto: Divulgação/Gabriel Rezende Faria/Embrapa

Por Filipe Domingues, G1
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Biólogo brasileiro recebe prêmio internacional por projeto para salvar o pirarucu na Amazônia

(Foto:Reprodução)-Biólogo brasileiro recebe prêmio internacional por projeto para salvar o pirarucu na Amazônia

“O pirarucu é um peixe fantástico. Ele tem alimentado o povo amazônico desde os mais antigos registros dessa sociedade”, diz o biólogo João Vitor Campos e Silva.

Foi a paixão por esse peixe símbolo da Amazônia e o lindo trabalho pela sua proteção e pela recuperação de sua população que garantiram ao brasileiro, de 36 anos, ser um dos cinco ganhadores do Rolex Award for Enterprise 2019, premiação internacional, promovida pela marca de relógios suíça, que desde 1976, apoia o trabalho de “indivíduos excepcionais, que têm a coragem e a convicção de enfrentar grandes desafios – homens e mulheres com espírito de empreendedorismo, iniciando projetos extraordinários para tornar o mundo um lugar melhor”.

Chegando a medir até três metros de comprimento e a pesar 250 quilos, o pirarucu (Arapaima gigas) é o maior peixe de água doce e de escamas do mundo. Espécie nativa da Bacia Amazônica, ou seja, ele só é encontrado em lagos, remansos de rios, meandros abandonados e várzeas dos principais afluentes do Amazonas, e em nenhum outro lugar do mundo.

Infelizmente, no último século, a pesca predatória fez com que houvesse uma alarmante redução no número de pirarucus na região amazônica.

“Mesmo em lugares remotos, como próximo ao rio Juruá, as pessoas saem para pescar o dia todo e voltam sem nada para casa”, conta o brasileiro.

O projeto desenvolvido por Campos e Silva envolve o engajamento de comunidades locais, que são conscientizadas sobre a necessidade da conservação da espécie.

Elas constróem casas de madeiras perto de lagos e nesses locais impedem que a pesca predatória seja realizada.

Através do projeto, o biólogo conseguiu melhorar a geração de renda das comunidades participantes e também, estimular a igualdade de gênero, pois pela primeira vez, mulheres se beneficiam, economicamente, com a atividade pesqueira nessas áreas. O dinheiro que circula localmente também ajuda na melhoria da infraestrutura de escolas e postos de saúde. “Salvar o peixe é, portanto, um antídoto para a pobreza”, acredita Silva.

“O pirarucu é uma das espécies com maior importância cultural da Amazônia, então é muito fácil que as comunidades se engajem no projeto e fiquem animadas e querendo começar a realizar o manejo”, diz.

biologo2A preservação do pirarucu garante mais renda para
comunidades ribeirinhas

Conservação da espécie

Antes do início do projeto, em uma das comunidades do rio Juruá, a população de pirarucus beirava os 50 indivíduos. Atualmente já são mais de 4 mil.

E não é só. Outras espécies, como manatis, tartarugas e jacarés também estão sendo beneficiadas.

Este ano, o júri do Rolex Award for Enterprise escolheu os ganhadores entre quase 1 mil candidatos, de 111 países. Os cinco vencedores são cientistas que trabalham com meio ambiente, saúde e tecnologia e receberão investimento para seus trabalhos.
biologo3Foto:Reprodução/João Vitor, segurando o pirarucu, um gigante amazônico

No ano passado, o biólogo, nascido em Piedade, no interior de São Paulo, também venceu a 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista, na categoria Mestre e Doutor.

Agora ele sonha em implementar seu projeto em outras 60 comunidades, localizadas em mais de 2 mil km do rio Juruá.

https://youtu.be/zpfr2OKzyro

Fotos: divulgação ©Rolex / Marc Latzel

Por:Suzana Camargo

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Estudo indica prejuízo de R$ 118 bilhões ao Brasil com a privatização de terras na Amazônia

(Foto:Divulgação – Imazon) –

O artigo aponta o avanço do desmatamento e perdas de bilhões de reais para os cofres públicos pela prática de cobrar abaixo do preço de mercado pelo hectare de médias e grandes posseiros que se apropriaram de áreas públicas
No estudo, os pesquisadores ampliaram a análise para todas as áreas que o governo pretende destinar para a futura privatização de posses irregulares (regularização fundiária) na Amazônia, abrangendo ao todo 27,8 milhões de hectares na Amazônia. (Divulgação – Imazon)

A sociedade brasileira poderá custear subsídios na ordem de R$ 118 bilhões (7% do PIB brasileiro) na venda de médias e grandes propriedades ilegalmente instaladas em áreas públicas na Amazônia, que podem levar a um avanço de 16 mil km² de desmatamento.

Essa é a estimativa do estudo “Stimulus for land grabbing and deforestation in the Brazilian Amazon” (Estímulo à grilagem e desmatamento na Amazônia Brasileira), que o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) publicou recentemente na revista científica Environmental Research Letters.

Prejuízo

O prejuízo financeiro ocorreria pela venda de terras abaixo do preço de mercado. Essa análise é uma expansão de uma nota técnica publicada em 2017 pelo Imazon e que foi usada como parte dos argumentos para questionar a constitucionalidade da nova lei em duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Essas regras foram aprovadas pelo Congresso Nacional após a conversão da Medida Provisória 759/2016, conhecida como MP da Grilagem.

No novo estudo, os pesquisadores ampliaram a análise para todas as áreas que o governo pretende destinar para a futura privatização de posses irregulares (regularização fundiária) na Amazônia, abrangendo ao todo 27,8 milhões de hectares na Amazônia.

Esse total inclui 8,6 milhões de hectares que já estão em processo de receber título de terra pelo governo federal e uma área de 19,2 milhões de hectares que o governo federal indicou para futuros processos de regularização fundiária. Os dados das terras públicas para o estudo foram obtidos por meio da Lei de Acesso a Informações Públicas.

Riscos da expansão do desmatamento até 2027

Os pesquisadores também avaliaram os riscos da expansão do desmatamento até 2027 para a área de 19,2 milhões de hectares alocada para futura regularização. Se toda essa área for privatizada, é provável que ocorra a expansão da fronteira agropecuária, que é um dos grandes impulsionadores de desmatamento na região.

A pesquisa estimou o risco de aumento do desmatamento de até 1,6 milhão de hectares. A queimada para limpar esta área resultaria em emissões de até 6,5 megatoneladas de CO2, contribuindo para o aquecimento do planeta. Isso equivale a 15 anos de emissões do setor de energia no Brasil.

O que dizem os autores do estudo

De acordo com a pesquisadora associada do Imazon e primeira autora do artigo científico, Brenda Brito, a expectativa de lucro com a posterior venda dessas áreas tituladas a preços irrisórios representa um estímulo a novas invasões de terra pública e grilagem na Amazônia, “que é o roubo do patrimônio de todos os brasileiros”, pontuou.

“A sociedade brasileira não deve ser obrigada a subsidiar posseiros ilegais em terras públicas e ainda perder com a destruição das florestas, mas nossa análise indica que esse será o resultado dessa lei se a decisão de alocar toda essa área para privatização não for alterada”, acrescentou Brito.

O pesquisador associado do Imazon Paulo Barreto, que é um dos coautores do estudo, alerta que ao beneficiar grileiros que podem comprar terras abaixo do preço do mercado, o poder público desestimula o investimento para melhorar a produtividade das terras já desmatadas que são subutilizadas.

“Em 2014, havia na Amazônia cerca de 12 milhões de hectares de pastos sujos. Quando o governo não coíbe a grilagem ou vende a terra barata, fica mais barato desmatar terra pública do que investir para recuperar pastos degradados”, ponderou.

Recomendações

Os autores recomendam que o governo paralise a venda de terras públicas na Amazônia e submeta a uma revisão de cientistas e de organizações da sociedade civil e dos órgãos supervisores (como o TCU e MPF) a decisão de alocar a área de 19,2 milhões de hectares para privatização.

“Por lei existem demandas prioritárias nessas áreas, que impedem a sua privatização, como o reconhecimento de territórios indígenas, de comunidades tradicionais, de conservação e até de manejo florestal sustentável via concessões”, afimrou Brenda Brito.

Exemplo disso é que o estudo chama atenção para um milhão de hectares identificados como de interesse parcial para a Funai que foram incluídos nas áreas para privatização futura. “A inclusão nas áreas para privatização de locais que podem ter demandas para terras indígenas reforça a necessidade de paralisar a emissão de títulos privados nessas áreas e revisar a destinação dessas terras públicas”, alertou Brito.
Por:João Thiago Dias / Com informações do Imazon

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Raro e ameaçado de extinção, filhote de onça preta é encontrado perdido por morador em MT

Filhote de onça pintada é macho e está desnutrido — Foto: Sema-MT/Assessoria

Animal tem melanismo que ocasiona coloração preta na pele e ‘esconde’ pintas.
Um filhote de onça-pintada melânica foi resgatado, na quinta-feira (13), no município de Paranaíta, a 849 km de Cuiabá. De acordo com a equipe da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), que fez o resgate, o animal de cerca de três meses é macho, estava sem a mãe e muito debilitado.

O animal também é conhecido como onça preta ou pantera negra. A aparição da pantera negra é motivo de celebração para os biólogos de todo o Brasil. Segundo os pesquisadores, a espécie está ameaçada de extinção.

A onça tem melanismo, que é uma alteração genética rara. A concentração de pigmento preto na pele ‘esconde’ as pintas comuns nesta espécie.

O animal foi encontrado em uma região de pastagem por um morador da região. Ele chegou a ficar com o filhote por uma semana, mas percebendo que ele estava muito debilitado, decidiu pedir apoio à Sema.

Filhote foi encaminhado para hospital veterinário e passará por tratamento antes de ser solto novamente. — Foto: Sema-MT/Assessoria
Filhote foi encaminhado para hospital veterinário e passará por tratamento antes de ser solto novamente. — Foto: Sema-MT/Assessoria

Em razão da desnutrição, o animal foi encaminhado para o Hospital Veterinário da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) de Sinop, a 503 km de Cuiabá.

Foram feitos alguns exames de sangue, clínico e morfobiometria. Os primeiros resultados apresentaram desidratação e desequilíbrio nutricional, além de uma baixa visão.

A ‘cegueira’ seria consequência do quadro nutricional, segundo a professora Elaine Conceição, responsável pelo setor de atendimento de animais silvestres do hospital.

Agora, ela vai receber medicação para reposição de vitaminas e, se melhorar, posteriormente será preparada para voltar à natureza.

Por G1MT

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Saiba sete dicas para não deixar o carro superaquecer

(Foto:Thiago Gama)- O superaquecimento do motor consiste no aumento excessivo da temperatura da peça e as altas temperaturas do Brasil durante o verão podem facilitar este superaquecimento. Os custos para o conserto do problema podem ser altos, gerando prejuízos e aborrecimentos para motoristas. Por essa razão, é importante tomar as devidas precauções para que o defeito não aconteça.
Esse sistema é composto pelo radiador, líquido de arrefecimento, válvula termostática, bomba d’água e ventoinha e pode superaquecer devido a diversos fatores. É bem verdade que ficar com o carro parado por conta do superaquecimento do motor é muito desagradável e dependendo do local onde o problema aparece pode ser perigoso.
Alguns cuidados básicos são suficientes para manter o sistema de arrefecimento em perfeito funcionamento, evitando o superaquecimento e as possíveis consequências da parada. Por isso, é importante ter um maior cuidado com o veículo nessa época do ano em que mais ocorre esse problema e não ter prejuízos.
Para ajudá-lo nessa tarefa, o portal Terra publicou um artigo, que reúne as principais dicas para evitar o aquecimento da peça no verão e aproveitar melhor o seu carro. Confira!

 1 – Válvula termostática
A válvula termostática é uma peça importantíssima do sistema de arrefecimento dos carros. Ela controla a temperatura do motor. Por isso, se a válvula estiver com problema, o carro sofrerá com superaquecimento, já que o líquido quente ficará no motor. Em último caso, pode até fundir. Manter a água do radiador com aditivo correto é a melhor forma de preservar a válvula. Ela nunca deve ser retirada.

2 – Eletroventilador
Com a função de jogar ar para auxiliar o resfriamento do motor, o componente que parece um ventilador doméstico geralmente é acionado em situações em que o motor não consegue captar ar do ambiente. Isso é comumente visto em engarrafamentos e situações de tráfego lento. Um sensor de temperatura que indica a necessidade e faz o acionamento do ventilador. Caso este sensor esteja com o funcionamento afetado, o ventilador pode não ser ligado e o motor superaquecer.

3 – Aditivos
Os aditivos usados nos veículos novos são à base de monoetilenoglicol, substância que aumenta o ponto de ebulição e diminui o ponto de congelamento da água, o que ajuda a manter na temperatura ideal o sistema de arrefecimento. Com o passar do tempo, porém, o líquido perde eficiência. Por isso, é importante trocá-lo seguindo as instruções de prazo do manual do proprietário do carro (geralmente 30 mil quilômetros).

4 – Mangueiras
O rompimento das mangueiras pode causar o superaquecimento do motor. Seu defeito mais comum é o ressecamento, que impede seu funcionamento correto e atrapalha a execução da tarefa de levar água até o motor. A constatação sobre o ressecamento pode ser feita pelo próprio dono do veículo. Ao verificar que a mangueira está muito ressecada ou se as pontas apresentam diversos fiapos, está na hora da substituição. A vida útil da peça é prolongada de acordo com a manutenção de todo o sistema de arrefecimento, que inclui o uso de aditivos na água do radiador indicados pela montadora.

5 – Reservatório e tampa
Nos carros novos, a tampa do radiador não fica mais no próprio radiador. Ela está no reservatório plástico bem visível aos motoristas. A tampa tem um sistema de válvulas calibradas para suportarem a pressão da água quente. Se ela está defeituosa, porém, a água do reservatório começa a ser liberada em forma de vapor, deixando o nível abaixo do recomendado para resfriamento do motor. A tampa deve ser trocada a cada 30 mil quilômetros.

6 – Bomba d`água
Item essencial para o sistema de arrefecimento, a bomba d’agua tem a função enviar água até o motor. Com isso, caso apresente defeitos, pode falhar em sua tarefa e deixar o motor ferver. Barulhos estranhos e vazamentos de água por baixo do carro podem denunciar problema nesta peça

7 – Líquido refrigerante
Utilize sempre água e o aditivo recomendado no manual do proprietário como líquido refrigerante. Se houver um pequeno vazamento, você pode completar somente com água. Mas se for preciso trocar boa parte do líquido refrigerante, deve ser trocado sempre água e aditivo juntos na proporção recomendada pela montadora.

A importância das manutenções periódicas
Além dos cuidados apontados nestas 7 dicas, é imprescindível revisar o carro com frequência. Por meio desse serviço, será possível identificar defeitos e realizar as substituições de peças com a antecedência desejada. No mercado, podemos encontrar várias opções de peças de aquecimento e refrigeração, podendo ser adquiridas em lojas físicas de auto peças e loja online como o site www.autopecas24.pt. Todos esses problemas podem ser evitados com a manutenção preventiva. Manter o sistema de arrefecimento sempre limpo e com peças novas é a melhor forma de garantir que você não pare a viagem no meio do caminho com o carro fervendo.

Por:Thiago Gama

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“Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.”
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Mulher corta pênis do próprio irmão ao descobrir que filha pequena foi estuprada

Caso ocorreu na cidade de Francisco Alves, no Paraná (Reprodução/StreetView)

A Polícia Civil do Paraná investiga o caso de uma mulher que cortou o pênis do próprio irmão, um adolescente de 13 anos, depois que o garoto teria confessado estuprar a filha dela, uma menina de apenas 3. A criança e o autor do suposto crime teriam ficado sozinhos quando a mãe dele, avó da menina, pediu que ele trocasse a fralda da pequena, que voltou chorando bastante.

De acordo com a Polícia Militar (PM), a avó relatou que a neta chorava bastante e quis saber o que ocorreu depois de mandar que o filho fosse trocar a sobrinha. Eles estavam em uma igreja e o adolescente levou a criança para casa sozinho, a poucos metros do local, na cidade de Francisco Alves.

A mãe da garotinha foi buscá-la na casa da avó e, ao dar banho na filha, teria visto lesões nos órgãos genitais dela. A mulher procurou o irmão e, ao questioná-lo, teria obtido a confirmação de que o adolescente tentou estuprar a sobrinha. Em um momento de fúria, ela então pegou uma faca e atacou o irmão, cortando o pênis dele. “Ela disse que em um momento de fúria, quando o adolescente confessou o abuso, ela se apoderou de uma faca e decepou o genital dele”, explicou o delegado responsável pelo caso, Thiago Soares, em entrevista para a TV Obemdito Umuarama.

O delegado explicou ainda que dois procedimentos foram instaurados: um para apurar o suposto estupro cometido pelo adolescente e outro contra a irmã dele, por ter cortado o pênis do garoto. A mulher responderá por lesão corporal gravíssima, mas foi liberada por falta de flagrante. Ela compareceu à delegacia nessa segunda-feira (10).

A Polícia Civil ainda aguarda resultado de exame realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) para confirmar se a menina de 3 anos foi ou não estuprada. O adolescente, por sua vez, foi levado para um hospital e transferido mais tarde para a UTI do Hospital Cemil, em Umuarama. Ele não teve o pênis reimplantado, mas apesar disso tem estado de saúde considerado estável.
De Redação BHAZ
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Casal de idosos morre com diferença de cinco minutos

Eles estavam em quartos separados e quando enfermeira foi dar a notícia sobre a morte de um, o outro havia morrido
O casal Delvino Zanco e Maria Soleni Zanco (Reprodução/ Facebook)

O casal Delvino Zanco, de 74 anos, e Maria Soleni Zanco, 72, morreu com apenas cinco minutos de diferença nesta segunda-feira (10), em Passo Fundo (RS), conforme o Hospital São Vicente de Paulo. Eles estavam internados havia cinco dias. Casados há 50 anos, marido e mulher tinham recebido alta, mas retornaram à unidade de saúde.

A neta, Chaiane Zanco, de 24 anos, relatou que os avós estavam em quartos separados, em uma mesma ala do hospital. A mãe de Chaiane e um tio estavam no quarto do avô e receberam a notícia da morte dele, devido a uma parada cardíaca. Nesse instante, uma enfermeira entrou no local para avisá-los de que Maria Soleni havia morrido.

Delvino completou 74 anos nessa segunda-feira. Ele havia descoberto ter leucemia há cerca de dois meses. De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, a baixa imunidade do paciente resultou num agravamento da pneumonia que ele havia contraído, e o idoso morreu às 9h25 de segunda-feira.

Já Maria Soleni possuía histórico de três casos de acidente vascular cerebral (AVC). Com sequelas, já havia passado por outras internações. Seu estado, segundo a neta, estava delicado, e se complicou nos últimos dias também devido a uma pneumonia. A morte dela foi registrada às 9h30 do mesmo dia que a do marido.

 “A gente sabe que é difícil, mas foi bonito (vê-los partindo juntos)”, disse Chaiane ao G1. “Eles sempre ficaram juntos, a vida inteira. Nesses mais de 50 anos, não se separaram nunca. Minha avó ria de tudo, e o vô viveu a vida dele pra fazê-la dar risada. Ele gostava de fazer piadas.”

(Com informações do G1)

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Anvisa aprova proposta que pode liberar o cultivo de maconha medicinal para indústria e ciência

Atualmente, plantio de maconha no Brasil é probido, mas algumas ações judiciais garantiram o direito limitado de algumas pessoas à prática — Foto: Reuters/Ivan Alvarado

Propostas de cultivo da planta de Cannabis sativa para fins medicinais e científicos e de produção de medicamentos com base na substância ainda precisam passar por consulta pública antes de poderem entrar em vigor; plantio doméstico segue proibido.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na tarde desta terça-feira (11), duas propostas preliminares que podem liberar o cultivo da planta de Cannabis sativa no Brasil para fins medicinais e científicos, além da produção de medicamentos nacionais com base em derivados da substância. Agora, as propostas devem ser publicadas no Diário Oficial da União e submetidas a uma consulta pública.
Leia:http://www.folhadoprogresso.com.br/anvisa-vota-nesta-terca-propostas-preliminares-sobre-o-cultivo-de-maconha-no-brasil/
O plantio doméstico de maconha por pessoas físicas e para o consumo recreativo continuará proibido no país. Os documentos preveem que apenas empresas possam cultivar a planta em ambientes controlados sob supervisão da Anvisa e de autoridades policiais, e que a venda seja feita diretamente para a indústria farmacêutica ou entidades de pesquisa. (veja abaixo os detalhes das duas propostas).

Votação foi unânime

Todos os quatro diretores aprovaram os textos que foram elaborados pela área técnica da agência, enfatizando a necessidade de que a consulta pública garanta à população transparência e divulgação dos dados e evidências a respeito do tema.

Os quatro diretores da Diretoria Colegiada iniciaram a 14ª reunião pública de 2019 por volta das 10h desta terça. Às 13h15, três dos quatro diretores já haviam aprovado a proposta. O último voto a favor das propostas foi proferido às 13h30.

Veja qual foi a ordem de votação:

Willian Dib (diretor-presidente da Anvisa): votou a favor das propostas sem alteração nos textos
Alessandra Soares (diretora): acompanhou o relator
Fernando Mendes (diretor): acompanhou o relator
Renato Porto (diretor): acompanhou o relator

A primeira proposta é para uma resolução que regulamente os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos feitos com base em Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos.

Ambos os documentos ainda deverão passar por uma consulta pública, incluindo uma audiência pública para debater o tema, ainda sem data marcada.

O que propõem as duas resoluções

Cultivo

Uma das resoluções a serem avaliadas tem como objetivo a regulamentação dos requisitos técnicos e administrativos para o cultivo da planta com fins medicinais e científicos – desde o plantio até a fase de secagem e distribuição.

A resolução prevê o cultivo somente em sistemas de ambiente fechado e por pessoas jurídicas. O cidadão comum (pessoa física) não poderia ter pés de maconha em casa. Para cultivar, seria preciso ter uma autorização especial da Anvisa e supervisão da Polícia Federal.

 Diretoria Colegiada da Anvisa avalia propostas de consulta pública para aprovação do plantio de maconha no Brasil — Foto: Rafaella Vianna/TV Globo Diretoria Colegiada da Anvisa avalia propostas de consulta pública para aprovação do plantio de maconha no Brasil — Foto: Rafaella Vianna/TV Globo

Diretoria Colegiada da Anvisa avalia propostas de consulta pública para aprovação do plantio de maconha no Brasil — Foto: Rafaella Vianna/TV Globo Diretoria Colegiada da Anvisa avalia propostas de consulta pública para aprovação do plantio de maconha no Brasil — Foto: Rafaella Vianna/TV Globo

Essa inspeção da agência reguladora exigiria, entre outras coisas, um rígido sistema de segurança com controle de acesso por biometria, alarmes e proteção de janelas duplas. Além disso, o local não pode ter identificação externa.

A venda e a entrega da planta produzida seriam somente para instituições de pesquisa, fabricantes de insumos farmacêuticos e fabricantes de medicamentos. O transporte teria de ser feito em veículos especiais.

A autorização para cultivo valeria por 2 anos, podendo ser renovada, e haveria uma cota de cultivo e controle de estoques e de liberação do produto.

    Medicamentos

A segunda resolução tem como objetivo definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos à base de cannabis, seus derivados e análogos sintéticos. Isso inclui os fitoterápicos.

A regulamentação se aplica aos medicamentos nas formas de cápsula, comprimido, pó, líquido, solução ou suspensão (misturas) com administração por via oral.

As próprias empresas deveriam pedir à Anvisa o registro para produção desses medicamentos. Atualmente, há somente um medicamento com cannabis registrado no Brasil, o Mevatyl.

Não haveria uma lista prévia de doenças: a agência analisará registro por registro, conforme os pedidos. Medicamentos já registrados em outros países deverão apresentar relatório técnico de avaliação do remédio emitido pelas respectivas autoridades reguladoras.

O registro inicial teria validade de 3 anos e as renovações seguintes, de 5 anos. Geralmente, para os outros medicamentos, o primeiro registro já vale por 5 anos.

Depois de aprovado o registro, a empresa teria 30 dias para definição do preço máximo e 365 dias para colocar o remédio no mercado. A resolução já prevê a venda em farmácias. A maioria deve ser com retenção de receita médica, mas cada caso seria analisado individualmente.

Neste momento, a Anvisa não tem nenhum pedido de registro pendente.

Haveria, pela proposta, um monitoramento do mercado com fiscalização constante e canais de atendimento para dúvidas de consumidores.
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Regras atuais

Atualmente, é proibido cultivar a planta de cannabis em território brasileiro. A lei determina que quem produz a cannabis para consumo pessoal está sujeito à prestação de serviços à comunidade e ao comparecimento a programa educativo, sem fazer ressalva ao uso médico.

Mas, nos últimos anos, a Anvisa e o Poder Judiciário já deram alguns passos no sentido de liberar o cultivo da planta para fins medicinais e científicos. Veja alguns deles abaixo:

Janeiro de 2015: Retirada do canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito, abrindo caminho para facilitar a comercialização de medicamentos com a substância no país;
Março de 2016: Autorização da prescrição de remédios à base de canabidiol e THC no Brasil;
Janeiro de 2017: Registro do primeiro remédio à base de maconha no Brasil, o Mevatyl, droga já aprovada em outros 28 países;
Abril de 2017: A Justiça Federal na Paraíba autorizou uma associação de João Pessoa a cultivar maconha para fins exclusivamente medicinais;
Maio de 2017: Inclusão da Cannabis sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) sob a categoria de “planta medicinal”.

A ideia é que, ao regulamentar o cultivo da planta, caia o custo da produção de medicamentos com base na Cannabis sativa, e que se reduza também o número de ações judiciais para compra de remédios não registrados no Brasil.

Pacientes que sofrem de diversas doenças podem ser beneficiados com a mudança na regras, entre eles os que têm esclerose múltipla, autismo e dores crônicas oncológicas.

As propostas avaliadas nesta terça não preveem a liberação do cultivo nem do consumo de maconha para fins recreativos.

Por G1 e TV Globo
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Anvisa vota nesta terça propostas preliminares sobre o cultivo de maconha no Brasil

— Foto: Reuters/Ivan Alvarado -Ideias para liberar o cultivo da Cannabis sativa para fins medicinais e científicos serão avaliadas nesta terça pelos diretores da agência, mas ainda precisarão passar por consulta pública.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começa a decidir, nesta terça-feira (11), o conteúdo de duas propostas que pretendem regulamentar o cultivo de maconha para fins medicinais e científicos no Brasil. Caso sejam aprovados, ambos os documentos ainda deverão passar por uma consulta pública, incluindo uma audiência pública para debater o tema, ainda sem data marcada.

A primeira proposta é para uma resolução que regulamente os requisitos técnicos e administrativos para o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais e científicos. Já a segunda é uma proposta de resolução para definir procedimentos específicos para registro e monitoramento de medicamentos feitos com base em Cannabis sativa ou seus derivados e análogos sintéticos.

Regras atuais

Atualmente, é proibido cultivar a planta de cannabis em território brasileiro. A a lei determina que quem produz a cannabis para consumo pessoal está sujeito à prestação de serviços à comunidade e ao comparecimento a programa educativo, sem fazer ressalva ao uso médico.

Mas, nos últimos anos, a Anvisa e o Poder Judiciário já deram alguns passos no sentido de liberar o cultivo da planta para fins medicinais e científicos. Veja alguns deles abaixo:

Janeiro de 2015: Retirada do canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito, abrindo caminho para facilitar a comercialização de medicamentos com a substância no país;
Março de 2016: Autorização da prescrição de remédicos a base de canabidiol e THC no Brasil;
Janeiro de 2017: Registro do primeiro remédio à base de maconha no Brasil, o Mevatyl, droga já aprovada em outros 28 países;
Abril de 2017: A Justiça Federal na Paraíba autorizou uma associação de João Pessoaa cultivar a manipular maconha para fins exclusivamente medicinais;
Maio de 2017: Inclusão da Cannabis sativa na Lista Completa das Denominações Comuns Brasileiras (DCB) sob a categoria de “planta medicinal”.

A ideia é que, ao regulamentar o cultivo da planta usada para produzir maconha no país, o custo da produção de medicamentos com base na Cannabis sativa caia, e que se reduza também o número de ações judiciais para compra de remédios não registrados no Brasil.

Pacientes que sofrem de diversas doenças podem ser beneficiados com a mudança na regras, entre eles os que têm esclerose múltipla, autismo e dores crônicas oncológicas.

As propostas a serem avaliadas nesta terça não preveem a liberação do cultivo nem do consumo de maconha para fins recreativos.

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Julgamento da Anvisa

No julgamento desta terça, que terá início às 10h, a Diretoria Colegiada da agência definirá que tipo de regras poderão ser postas em prática para permitir esse cultivo. A reunião também deve decidir sobre como o Brasil deve regulamentar o registro e monitoramento de medicamentos que tenham como base a cannabis medicinal.

Além dos quatro diretores do colegiado, mais de 30 representantes de entidades já estão inscritos para comentar o assunto durante o julgamento.

O teor das propostas também poderá ser alterado durante a discussão e os votos dos diretores, que podem pedir vista e suspender a votação até uma data futura. Uma vez aprovadas, as propostas ainda deverão ser publicadas no “Diário Oficial da União”, e entrar em consulta pública sete dias depois disso.

O objetivo inicial da Anvisa é que o conteúdo das propostas seja submetido à consulta durante um período de 60 dias. Em seguinda, uma nova proposta deverá ser elaborada com base na consulta e, então, submetida à votação definitiva pela Diretoria Colegiada.
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Por Rafaella Vianna, TV Globo
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