Clube afasta técnico de ginástica artística por denúncia de abuso sexual

image_pdfimage_print

Há 2 anos, MP-SP recebeu a 1ª denúncia de abuso sexual contra treinador.
Diego Hypolito revela que abusos e humilhações são frequentes na ginástica.
O ex-técnico da seleção brasileira de ginástica artística Fernando de Carvalho Lopes foi afastado nesta segunda-feira (30) do clube em que trabalhava. Há quase dois anos, o Ministério Público de São Paulo recebeu a primeira denúncia de abuso sexual contra o treinador.

O maior escândalo de abuso sexual no esporte brasileiro foi revelado, no domingo (29), com exclusividade pelo Fantástico. A nossa reportagem conversou com cerca de 80 pessoas entre ginastas, parentes e dirigentes; 40 atletas e ex-atletas afirmaram que foram vítimas de abusos sexuais praticados durante anos por Fernando.

Fernando de Carvalho Lopes foi afastado, nesta segunda-feira (30), de todas as funções no Mesc, clube particular de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Segundo o clube, Fernando já havia sido afastado dos treinos e passado a realizar apenas funções administrativas em 2016, quando o Ministério Público de São Paulo recebeu a primeira denúncia contra o técnico.

Mas, de acordo com alguns depoimentos, Fernando continuava presente no ginásio, instruindo as crianças, como mostra um vídeo gravado em março de 2017 pela família de uma das crianças, que não quis ser identificada.

O caso de Fernando lembra um escândalo recente de abuso sexual nos Estados Unidos. Lá, mais de 260 mulheres denunciaram o ex-médico da seleção americana de ginástica. Em janeiro, Larry Nassar foi a julgamento pela terceira vez. Ao todo, ele foi condenado a 360 anos de prisão.

A campeã olímpica Aly Raisman, uma das ginastas que denunciaram o médico americano, postou numa rede social nesta segunda sobre o caso de Fernando Lopes: “Estou arrasada por ouvir que muitos ginastas no Brasil foram vítimas de abuso. Os sobreviventes devem ser ouvidos e a justiça feita”.

Denunciar os abusos na formação de ginastas foi também o que motivou a entrevista dada, nesta segunda, pelo medalhista olímpico Diego Hypolito. Um dos maiores nomes da ginástica brasileira, Diego já tinha falado que não foi abusado sexualmente por Fernando. Mas afirmou que sofreu com violências praticadas por atletas mais velhos quando estava no início da carreira e com a conivência dos seus treinadores na época. Mas Diego não citou nomes.

“Quando vi a matéria hoje no Globo Esporte, foi a primeira vez que tive coragem de contar para minha mãe que eles me faziam ficar pelado, me pegar com ânus, uma pilha com pasta de dente em cima, e a questão da humilhação, e nesse dia quando aconteceu isso, eu tive ataque epilético, e depois por ter tido o ataque, não consegui fazer a prova toda, pelado. Que depois a gente tinha que colocar com o ânus, não podia ajudar com a mão, tinha de se agachar e pegar a pilha com o ânus e depois deixar dentro de um tênis, e se a pilha caísse fora, tinha de voltar e fazer a prova de novo. Fiquei muito nervoso com a situação e me deu desespero. Os bullyings aconteciam regularmente… sempre com os alunos mais velhos com a conivência dos técnicos”, relata Diego Hypolito, prata na Olimpíada de 2016.

Repórter: Você quer falar o nome de alguém?
Diego Hypolito: “Eu prefiro não expor, porque eu não sei se eles me dão o direito, mas foi com muitas pessoas”.

Apesar de tudo que viveu, Diego seguiu na ginástica, mas, segundo as vítimas do técnico Fernando Carvalho Lopes, vários atletas abandonaram o Mesc por causa dos abusos do treinador.

Alguns deles se transferiram para São Caetano, onde Marcos Goto, coordenador técnico da seleção e técnico do campeão olímpico Artur Zanetti, os recebeu. As vítimas também contaram que ouviram piadas de Marcos Goto.

“Ele sabia de tudo. Todo mundo que foi treinar com ele falou para ele, e ele zoava as pessoas. Ele nunca tomou alguma posição. O Marcos Goto, ele zoava a gente. Tipo assim: não consegue fazer barra aqui, vou te levar para a sauna, para ver se você consegue”.

“O Marcos chacoteava bastante. Por que que, ao invés de fazer piada, ele não fez alguma coisa para ajudar?”.

Marcos Goto ainda não quis se manifestar. Também procuramos a Confederação Brasileira de Ginástica e o Comitê Olímpico do Brasil para repercutir a reportagem do Fantástico. Ninguém quis se pronunciar nesta segunda.

Assim como Fernando, que, por telefone, já tinha negado as acusações: “Nunca fui um técnico legal. Eu fui um técnico sempre muito rigoroso, às vezes até demais. E acho que, por outro lado, eu tive um problema de ser um cara que muitas vezes misturei, de achar que eu era mais do que um técnico. Acho que eu podia ser um amigo, podia ser um pai, que podia ser qualquer outra coisa. Então, isso talvez tenha dado uma margem de interpretação errada para cada um deles. Mas a ponto desse tipo de acusação, eu não tenho o que falar, eu acho que eles vão ter que provar. Eu sei que eu tenho minha consciência limpa no que diz respeito que eu nunca estuprei, que eu nunca molestei ninguém, num intuito como está sendo colocado”.

O promotor Luís Marcelo Mileo e a delegada Teresa Alves de Mesquita Gurian, responsáveis pelo caso, disseram que não podem gravar entrevista porque a investigação está sob sigilo.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não autoriza entrevistas, nem responde sobre o inquérito.

Em nota, o Ministério do Esporte disse condenar todo e qualquer caso de assédio e abuso sexual e defender a completa investigação do caso por parte das autoridades competentes, com punição exemplar dos responsáveis.

Também em nota, o Ministério dos Direitos Humanos informou estar acompanhando com atenção as investigações do Ministério Público e que o caso também está sendo acompanhado pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. O ministério lamentou o caso e ressaltou a importância da denúncia para a prevenção e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.

A Confederação Brasileira de Ginástica informou, em nota, que vai adotar providências urgentes, junto com o Ministério Público do Trabalho, que coopera nesta área. A confederação vai ouvir o treinador da seleção brasileira, Marcos Goto. E afirmou que nenhum caso de assédio ou abuso ficará sem rigorosa apuração e eventual sanção.

Fonte:G1
Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do JFP (JORNAL FOLHA DO PROGRESSO
no (93) 98404 6835- (93) 98117 7649.

“Informação publicada é informação pública. Porém, para chegar até você, um grupo de pessoas trabalhou para isso. Seja ético. Copiou? Informe a fonte.”
Publicado por Jornal Folha do Progresso, Fone para contato 93 981177649 (Tim) WhatsApp:-93- 984046835 (Claro)
Site: WWW.folhadoprogresso.com.br E-mail:folhadoprogresso@folhadoprogresso.com.br

error: Jornal Folha do Progresso
%d blogueiros gostam disto: