Com sete casos por dia, latrocínios aumentam 58% no País em sete anos

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 O estudante Raphael Souza, de 19 anos, estava nas margens do canal de São Joaquim, na zona norte de Belém, quando foi abordado por dois homens que pediam o seu celular. Negou-se a entregar o aparelho e foi atingido com um tiro no peito, o que causou pânico no seu irmão, testemunha do crime. “É uma sensação ruim lembrar disso. Vi meu irmão morrer e nada pude fazer, porque também morreria se reagisse”, disse o parente, que prefere esconder a identidade e ainda vive com medo.

Duas pessoas chegaram a ser presas pela morte de Souza em setembro do ano passado, mas hoje estão soltas. Um adolescente de 17 anos foi liberado sem cumprimento de medida socioeducativa. O seu suposto parceiro, Júlio Oliveira, de 25 anos, disse à Justiça que foi o rapaz quem fez o disparo, conseguindo pouco tempo depois também sair da prisão. Em 2016, o Pará foi o Estado que teve a mais alta taxa desse tipo de crime, o latrocínio, no País: 2,4 por 100 mil habitantes.

Dados inéditos do 11.º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que será divulgado nesta segunda-feira, 30, mostram que esse crime subiu 57,8% no País entre 2010 e o ano passado, quando houve 2,5 mil registros ou sete casos por dia. A análise do Fórum, que reúne números oficiais, é a mais relevante do setor. A organização reúne pesquisadores e policiais no debate de políticas públicas.

No total, foram 13,8 mil assassinatos durante roubos desde 2010. De acordo com especialistas, a crise econômica associada a problemas em programas estaduais de redução de criminalidade – que perderam investimentos – é um dos fatores para entender os indicadores. Com a recessão, em muitos Estados houve queda tanto da capacidade de policiamento nas ruas quanto de investigação.

O latrocínio tem punição pesada prevista no artigo 157 do Código Penal. A pena de prisão é de 20 a 30 anos, o máximo permitido pela lei brasileira.

Ainda assim, os bandidos não têm se desencorajado. No Rio, a situação é especialmente preocupante. Pernambuco (cujo número de casos saltou de 114 para 167) e Espírito Santo (de 35 para 53) são outros que tiveram altas proporcionais relevantes. Pernambuco teve um programa considerado modelo em redução de mortes violentas, que perdeu força nos últimos anos.

A liderança é do Pará, que subiu uma posição em relação a 2016. Rondônia passou da 20.ª para a 7.ª posição; Pernambuco pulou nove posições, sendo agora o 8.º. Assassinatos cometidos durante roubos cresceram em 19 Estados, como Rio e Pará, entre 2015 e 2016.

A Secretaria de Segurança do Pará disse que esclareceu vários latrocínios e que o resultado disso já está no Judiciário. A pasta contesta os dados do anuário, afirmando que seu levantamento não bate com o resultado da pesquisa, mas não apresentou seus dados. O Ministério da Justiça e da Segurança Pública não comentou os dados.
Causas

O diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques, associa o fenômeno ao crescimento dos crimes patrimoniais. “O latrocínio é um tipo de crime contra o patrimônio, não à toa as polícias falam que é o roubo que deu errado. Aumentando o roubo, como vimos em 2016, o latrocínio também vai crescer, gerando esses dados espantosos.”

Marques diz que há um conjunto de fatores que influenciam, entre eles o “momento econômico”. “O roubo produz uma sensação de insegurança ligada ao cerceamento da liberdade de ir e vir, levando as pessoas a mudarem hábitos. Com o latrocínio, esse sentimento é agravado, pois há violência letal.”

O Fórum divulgará nesta segunda os dados completos do anuário. O principal número esperado é o de homicídios totais de 2016. O balanço deve mostrar crescimento da violência, segundo apurou a reportagem.

Em relação a 2017, o Estado mostrou em agosto que o País já havia registrado 28 mil homicídios no primeiro semestre.

A Marinha confirmou em nota que os garimpeiros também “tentaram invadir e incendiar a sede da Agência Fluvial de Humaitá (AgHumaitá)”, uma unidade da Força. “A ação foi contida pelos militares da Marinha com o apoio do Exército e da Polícia Militar do Amazonas”, informou a nota. Os fuzileiros navais chegaram a Humaitá na tarde deste sábado (28) em um avião militar.

Com tripulação prevista de 56 homens, o navio-patrulha fluvial Rondônia, enviado de Porto Velho (RO), é equipado com um canhão, seis metralhadoras e dois morteiros.

A Marinha informou que desde a terça-feira (24) vinha dando apoio à Operação Ouro Fino. “A prática [do garimpo] de forma irregular, além de causar prejuízos nocivos ao meio ambiente, contribui para o assoreamento dos rios, contamina as águas com produtos da mineração, bem como, dificulta a navegação”, informou a Marinha.

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama em Brasília, Luciano de Meneses Evaristo, afirmou que toda a atividade dos garimpeiros na área é ilegal por se tratar de uma unidade de conservação ambiental. “É um grande grupo de pessoas sem licença, poluindo o rio Madeira, jogando mercúrio na água, comprometendo a fauna e a flora e as pessoas que vivem do rio. Nós vamos continuar a fazer o nosso serviço”, disse Evaristo.

Em um vídeo gravado depois dos ataques e que circula em redes sociais, o prefeito de Humaitá Herivaneo Seixas (PROS) aparece prometendo a um grupo de garimpeiros que “vai trabalhar” junto com “dez vereadores” da cidade para que o governador Amazonino Mendes (PDT) dê uma “licença ambiental” para o garimpo na região. O prefeito disse aos garimpeiros que Mendes será candidato à reeleição no ano que vem.

“Faço questão de amanhã, com o governador, mostrar para ele esse vídeo, da necessidade que o povo precisa, para nós pegarmos uma licença ambiental para vocês poderem trabalhar aqui dignamente para sustentar a família de vocês. Eu vou direto amanhã ao candidato a governador Amazonino Mendes -eleito, já que não tem quem tira essa eleição dele- para justamente cobrar dele. Eu tenho fé em Deus de que eu, como prefeito e dez vereadores, ele não dizer não para vocês aqui, para o garimpo, para os pais de família que precisam.”

Um alto membro do governo do Amazonas também atacou a operação contra os crimes ao meio ambiente. O secretário de Segurança e vice-governador do Estado, Bosco Saraiva, afirmou em entrevista coletiva à imprensa no sábado (28) que o conflito “foi provocado por membros de organismos federais, situação que será efetivamente investigada a fundo e que causou aquele transtorno absurdo na cidade de Humaitá”.

“A notícia que se tem é que membros do Ibama teriam ateado fogo, portanto extrapolado aquilo que era uma fiscalização, teriam ateado fogo em balsas, que inclusive teriam residências sobre elas, o que afetou muitas famílias. A população se revoltou contra”, disse o secretário aos jornalistas.

Luciano Evaristo, do Ibama, disse que a decisão de queimar as balsas é amparada por lei e só foi tomada porque os garimpeiros impediram que um rebocador, alugado pelo Ibama especialmente para a ação, retirasse as embarcações da área protegida.

O comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar em Humaitá, major J. Antônio, rechaçou as críticas do Ibama de que a corporação teria sido leniente na proteção ao órgão, que teve quatro carros e o prédio incendiados. Ele disse que colocou mais de 80 homens nas ruas na primeira hora do conflito e conseguiu evitar depredações em vários endereços, como a casa de um servidor do Ibama, mas a ação dos garimpeiros foi muito rápida e envolveu centenas de pessoas e diferentes locais ao mesmo tempo. Segundo o major, o prédio do Ibama em Humaitá é desprotegido, sem muro, fica à beira de uma rodovia, e seria “impossível protegê-lo da multidão”.

“Nem se eu tivesse 500 homens conseguiria impedir aquela invasão”, disse o major. A PM não possui batalhão de choque em Humaitá, mas sim armas não letais. Segundo o comandante, na madrugada deste domingo (29) a PM apreendeu 35 motosserras que haviam sido saqueadas da sede do Ibama. Um homem foi preso. Segundo o oficial, a PM continua atrás de outros objetos roubados do Ibama, como espingardas e redes de pesca. “Considero que fizemos o possível dentro daquelas condições, sem nenhuma vítima fatal”, disse o major. Com informações Folhapress.

Fonte: MSN.
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