Desmatamento é principal preocupação ambiental do brasileiro, diz pesquisa

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Áreas de proteção são desfeitas mais rapidamente do que são criadas  Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O desmatamento é a questão ambiental mais preocupante para a maioria dos brasileiros – no ranking global, o tópico aparece na 5ª colocação. Quando se trata do meio ambiente, o aquecimento global é considerado o tema mais importante para a população mundial  – já para os brasileiros, o assunto aparece somente no 4º lugar entre as principais preocupações.

O diagnóstico é da pesquisa global Earth Day 2019, realizada pela Ipsos. A empresa de pesquisa de mercado realizou entrevistas em 28 países entre 22 de fevereiro e 8 de março. Em cada país, o estudo investigou as três mais importantes questões ambientais enfrentadas naquele local.

Após a medida provisória (MP) que altera o Código Florestal perder a validade no Senado, o governo pretende enviar nesta quarta-feira, 5, uma proposta igual à que foi aprovada pela Câmara dos Deputados.

Mesmo com risco de judicialização, a ideia é ganhar tempo e garantir o apoio da bancada do agronegócio no Congresso. A MP abre espaço para que produtores rurais não recomporem áreas de preservação desmatadas.

Entre as questões ambientais mais prioritárias para a população brasileira, após o desmatamento, estão: poluição da água (44%), lidar com o lixo que produzimos (36%), aquecimento global (29%) e esgotamento de recursos naturais (23%).

No ranking mundial, o aquecimento global foi mencionado por 37% dos entrevistados como tema considerado mais prioritário. Poluição do ar (35%) aparece em 2º tema mais preocupante para a população mundial, seguido de como lidar com o lixo que produzimos (34%), poluição da água (25%) e desmatamento (24%).

Na avaliação da diretora de negócios da Ipsos, Karen Klas, o contexto de atuação do governo, que ajuda a explicar a preocupação do brasileiro com o desmatamento. “A questão está muito em voga. As pessoas estão discutindo muito esse tema exatamente porque está se falando da atuação do governo em relação à abertura ou não para cultivo. Está fazendo muito parte da vida do brasileiro essa discussão sobre florestas”, diz.

Dois em cada dez brasileiros entrevistados no levantamento acreditam que as enchentes representam uma questão ambiental importante – ou 18%. O assunto é considerado prioritário somente para 9% no ranking global. Para Karen, como a pesquisa foi realizada entre fevereiro e março, a questão das enchentes figurou entre uma prioridade em função do desastre da barragem em Brumadinho (MG) e dos deslizamentos de terra ocorridos no verão.

“A questão das enchentes é um desafio que a população enfrenta no seu dia a dia. Cada um sabe da dor que está doendo em si. Esse resultado mostra que a gente acaba tendo preocupações maiores com temas que impactam diretamente”, avalia a diretora de negócios da Ipsos.

Segundo ela, o brasileiro tem dificuldade de se preocupar com questões ambientais futuras. Quando questionados sobre a prioridade de assuntos como fontes e suprimentos futuros de energia e de alimentação, no Brasil a média de preocupação é metade da população global.

“Estamos olhando muito para o nosso presente, para questões que estão exigindo nossa atenção imediata, e acabamos deixando o futuro para depois. E sabemos que quando o futuro chegar, talvez ele venha com preocupações desproporcionais, exatamente porque não pensamos nisso com antecipação”, diz Karen.
Desmatamento

A criação de áreas de preservação ambiental está longe de ser uma garantia eficiente de proteção ao meio ambiente. A conclusão é do maior estudo internacional já feito sobre o tema, coordenado pela ONG Conservação Internacional, e publicado na revista científica Science. O trabalho destaca a situação do Brasil.

No País, 85 áreas de conservação foram extintas, reduzidas ou tiveram o seu status de proteção rebaixado. Foram 11,5 milhões de hectares ou cerca de 18% do que foi perdido globalmente. Outras 60 áreas são objeto de propostas ainda ativas e podem afetar outros 21 milhões de hectares.

O estudo avaliou as mudanças em todo o mundo entre 1892 e 2017. A conclusão é preocupante: há uma tendência mundial de retrocessos ambientais, acentuada na última década. Nos 125 anos analisados, 73 países promulgaram leis que resultaram na extinção de aproximadamente 52 milhões de hectares de áreas de conservação.

Por:Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

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