Greenpeace desiste de tora em Castelo de Sonhos
Moradores do distrito de Castelo de Sonhos, no município de Altamira, liberaram na quarta-feira, 17, os sete ativistas da Organização Não-Governamental Greenpeace. Eles haviam sidos impedir de sair da vila com uma tora de madeira que haviam retirado de uma área do assentamento Brasília, que está sob interdição judicial.
Os integrantes da ONG foram cercados por cerca de 100 moradores da localidade, que ficaram revoltados quando souberam que o Greenpeace estava levando uma tora de castanheira que seria exposta em São Paulo e no Rio de Janeiro. O Greenpeace tinha uma autorização do IBAMA, que depois foi cancelada pelo órgão ambiental.
A ONG diz que a a árvore foi queimada ilegalmente em terras públicas, mas para os moradores, a autorização para a retirada da árvore foi um desrespeito, pois a população e os moradores estão proibidos de tocaram nos recursos naturais do assentamento. O ongueiro Marcelo Marquesini, do Greenpeace, criticou o IBAMA depois do cancelamento da autorização.
O caminhão contratado pelo Greenpeace para transportar a tora de 13 metros foi impedido de seguir viagem após ter sido cercado por um grupo de pessoas formado por moradores, madeireiros, sem-terra e comerciantes do local. Integrantes da comunidade local afirmam não ser contra o movimento ecológico, mas disseram estar ressentidos com atuação do grupo, que segundo eles não deu explicações sobre a retirada da tora para a exposição.
"Eles chegam sem dizer bom dia, boa tarde e não procuram ninguém para esclarecer", disse o comerciante de material de construção Vilson Kettermann, que faz parte do movimento de emancipação do distrito. Segundo ele, há um sentimento na região de que o grupo ecológico é privilegiado em suas demandas, enquanto vários projetos locais de manejo sustentável não conseguem autorização para funcionar. "Não somos contra a preservação, mas não somos ouvidos pelas autoridades.", reclama.
Fonte: Paulo Leandro Leal