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Notícias : Jader escolhe Senado e abre caminho a acordo com Ana Júlia
em 01/06/2010 19:19:13 (1559 leituras)




Jader escolhe Senado e abre caminho a acordo com Ana Júlia



Jader, que no fundo não se sentia muito atraído a concorrer novamente ao governo paraense (cargo que já ocupou duas vezes) admitiu pressões do Planalto e da direção nacional do PMDB



 




PT e PMDB no Pará estão mais próximos de um acordo após a decisão do deputado Jader Barbalho de concorrer ao Senado, abrindo mão de competir ao governo estadual. Jader, que no fundo não se sentia muito atraído a concorrer novamente ao governo paraense (cargo que já ocupou duas vezes) admitiu pressões do Planalto e da direção nacional do PMDB - especialmente após a confirmação da candidatura de Michel Temer (SP) como vice na chapa presidencial da petista Dilma Rousseff.



A união só não foi ainda sacramentada porque setores do PMDB paraense nutrem profunda aversão pela governadora Ana Júlia (PT-PA) e recusam-se a apoiá-la para a reeleição. Na noite de quinta, como uma maneira de marcar posição, o diretório local apresentou o nome do presidente da Assembleia Legislativa Estadual, Domingos Juvenil (PMDB), como pré-candidato do partido ao governo estadual.



O impasse paraense foi incluído no rol dos problemas nevrálgicos a serem resolvidos na coligação nacional PT-PMDB. A campanha de Dilma precisa dos votos da região Norte para compensar possíveis reveses no Sudeste e Sul. Os petistas sabem também que é impossível êxito no Estado sem uma aliança firmada com Jader. “Ninguém se elege no Pará sem o PMDB. E o PMDB aqui é Jader”, resumiu um líder do PMDB.



A expectativa é que nova reunião, envolvendo Jader, os presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), do PT, José Eduardo Dutra (PT-SE) e o ministro da Coordenação Política, Alexandre Padilha, aconteça após o feriado de Corpus Christi.



Jader e Ana Júlia reuniram-se duas vezes nos últimos dez dias, sempre na casa do pemedebista. No primeiro encontro, realizado no dia 21, discutiram o projeto que autorizava um empréstimo de R$ 366 milhões do BNDES para o governo paraense como contrapartida às obras do PAC. Jader prometeu à governadora que a obstrução feita pelo PMDB, apoiada pelo PSDB e pelo DEM, seria retirada, facilitando a aprovação.



O PMDB cumpriu o acordo, mas diminuiu os poderes de Ana Júlia. Uma emenda apresentada pela bancada pemedebista fez com que a distribuição dos recursos não ficasse centralizada no governo estadual, pulverizando as verbas pelos municípios - o PMDB governa 42 cidades, sendo a principal força municipal paraense, seguido pelo PT com 25.



Na manhã da segunda 24, houve nova reunião entre Jader e Ana Júlia, com a presença de alguns aliados, como o deputado estadual Parsifal Pontes (PMDB). Nesse encontro, Jader sinalizou a Parsifal a possibilidade de uma retomada das conversas com o PT, incluindo a candidatura a vice-governador e a recomposição do espaço perdido pelo PMDB, voltando o desenho da coalizão ao formato original de 2006.



Mesmo sendo a principal liderança local, Jader sabe que precisa esforçar-se para convencer seus correligionários. Um ministro ouvido pelo Valor disse que o deputado está conversando com prefeitos, deputados estaduais e vereadores em busca de uma conciliação.



Mas a rejeição à governadora petista é enorme: em algumas cidades, ela beira os 60%. Também pesa contra a aproximação uma antipatia à outra administradora petista, Maria do Carmo, prefeita de Santarém. “Como são duas mulheres petistas mal avaliadas, tem gente que afirma não valer a pena votar em uma terceira petista - no caso, Dilma Rousseff”, assinalou um pemedebista local.



A aversão a Ana Júlia não é uma prerrogativa exclusiva do PMDB paraense: ela também não é uma pessoa querida por Dilma nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reclamam que ela expõe em demasia a legenda, em episódios como o da menina que ficou um mês presa em uma cela masculina no município de Abaetetuba.



Ou quando foi leniente nas invasões promovidas pelo MST em fazendas, entre elas as do banqueiro Daniel Dantas. Mesmo assim, a avaliação na cúpula petista é de que, mesmo não sendo a “candidata dos sonhos”, Ana Júlia é a única opção para evitar traumas ainda maiores decorrente de uma mudança de candidato às vésperas da eleição.



Fonte: midiaamazonia



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