Búfalos: Apesar do segundo maior rebanho, Amapá ainda sofre com baixa produtividade
Pesquisa da Embrapa, Secretaria de Desenvolvimento Rural do estado do Amapá e Instituto de Desenvolvimento Rural do estado do Amapá – Rurap quer contribuir para a sustentabilidade socioeconômica e ambiental da atividade pecuária mais representativa do estado
Da Redação
O Amapá, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, possui o segundo maior rebanho de bubalinos, com 201.898 animais, ficando atrás apenas do Pará, com 442.405 búfalos. De olho nos números, pesquisadores da Embrapa, Secretaria de Desenvolvimento Rural do estado do Amapá e Instituto de Desenvolvimento Rural do estado do Amapá – Rurap estão analisando a bubalinocultura no estado. Além dos impactos ambientais, os pesquisadores alertam que a qualidade do manejo das pastagens pode ser um dos fatores dos baixos índices de produtividade no estatdo. A pesquisa estuda a criação de búfalos por meio do projeto diagnóstico da produtividade das pastagens nativas dos campos inundáveis, influenciados pelas marés, formando diferentes tipos de vegetação durante o ano, dificultando o manejo das pastagens devido à grande variação de área disponível para o pastejo dos animais em razão do alagamento. Ou seja, pretende identificar a capacidade de carga dos pastos nativos sujeitos à atividade de criação de búfalos.
A expectativa, segundo a pesquisadora da Embrapa, Ana Elisa Alvim Dias, é que a pesquisa contribua para a sustentabilidade socioeconômica e ambiental da atividade pecuária nas áreas de pastagens naturais inundáveis no estado do Amapá, sobre as quais ocorre a pecuária mais representativa do estado. “Estão sendo estudados os atributos dessas pastagens a fim de determinar a sua capacidade de suporte animal durante o ano, salientando que o clima regional caracteriza-se por um longo período de estiagem (julho a dezembro) e um longo período chuvoso (janeiro a junho) no qual a precipitação média é de 2700 mm”.
O trabalho começou em outubro de 2008 e está avaliando a taxa de crescimento da pastagem nativa, as propriedades do solo sob campos pastejados, estimando as taxas de desaparecimento de pasto, a lotação e os índices de lotação das áreas analisadas em três locais situados em propriedades particulares nos municípios de Cutias, Pracuúba e Amapá.
No Amapá, a utilização das pastagens nativas em áreas que sofrem alagamento - por efeito de maré e/ou chuvas durante alguma época do ano - correspondem a 16,7 mil km² e representam aproximadamente 11,7 % da área total do estado (Figura 1 - Campos de Várzea).
De acordo com a pesquisadora, real potencial produtivo das pastagens naturais do estado do Amapá ainda não é reconhecido. “Em razão disso é possível que as altas cargas animais acarretem uma desestruturação da comunidade vegetal. Essa situação parece ser uma das principais causas da ineficiência do setor, visto que os parâmetros produtivos permanecem no mesmo patamar há décadas, refletindo em índices zootécnicos muito baixos, inviabilizando essa exploração”, explica.
O baixo desempenho produtivo dos animais em pastejo decorre provavelmente da fome crônica decorrente da falta de ajuste entre as exigências nutricionais e manejo alimentar. “Isso porque a sazonalidade da oferta e qualidade da forragem durante o ano, não é devidamente considerada no ajuste das cargas animais sobre as pastagens naturais, resultando em uma acentuada disparidade na época das chuvas (janeiro a julho), onde os animais perdem grande parte do peso adquirido nas áreas inundáveis, mais representativas na alimentação animal”, diz a pesquisadora.
Ana Elisa afirma ainda que para um sistema produtivo ser sustentável, deve-se considerar todas as variáveis envolvidas - animais, pastagem, solo, entre outras. Ou seja, o ecossistema como um todo deve ser levado em conta. “Uma das formas de otimizar essas variáveis é através do controle da oferta de pastagem manejando a carga animal (kg de peso vivo de animais por área) no sistema durante o ano, de acordo com a variação climática estacional e consequente produtividade da pastagem. Permite que se administre o aproveitamento da pastagem proporcionando uma melhor eficiência produtiva animal, visto que a quantidade de animais seja compatível com a quantidade de pastagem disponível para ser consumida, suprindo as necessidades nutricionais dos animais e dando condições para um bom desenvolvimento da pastagem. Esta forma de exploração proporciona sustentabilidade econômica e ambiental, as quais não só trazem benefícios para o produtor, bem como para toda a cadeia produtiva”, afirma Ana Eliza.
Desde o início do projeto, técnicos das três instituições iniciaram o trabalho de campo, realizando visitas técnicas aos experimentos e fazendo a coleta de pastagem. O projeto tem prazo de três anos para ser concluído e as próximas etapas deverão exigir mapeamentos de zonas de fragilidade ambiental que devem gerar planos mais eficazes de controle dos impactos ambientais.
Notícias da Amazônia (Por Érica Neiva)