Aumento de incêndios florestais na Amazônia preocupa cientistas, mostra “Science”

Especialistas dizem que, apesar de taxa de desmatamento ter diminuído, aumento de incêndios florestais poderia anular os benefícios da redução
Um artigo publicado nesta quinta-feira (3) pela revista
Science mostra que a taxa de desmatamento na Amazônia diminuiu, mas que o aumento dos incêndios florestais poderia anular os benefícios da queda. O estudo foi realizado pelos pesquisadores Luiz Aragão, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e Yosio Shimabukuro, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São Paulo. Eles usaram imagens de satélite para observar a Floresta Amazônica de 1998 a 2007.
Segundo os pesquisadores, a análise dos dados recolhidos indica que a ocorrência de queimadas cresceu 59% na região onde foram detectadas as menores taxas de desmatamento. Até 2004, a perda anual de áreas florestais chegava a mais de 27 mil quilômetros quadrados. Desde então, porém, o ritmo de desmatamento foi diminuindo. Em 2009, calculava-se uma perda de pouco mais de 7,4 mil quilômetros quadrados - a perda de arborização é responsável por 24% de todas as emissões mundiais de carbono procedentes da mudança na cobertura florestal da Terra, dizem os especialistas.
Os esforços para reduzir o desmatamento e a degradação do solo, que incluem incentivos financeiros, poderiam falhar em suas metas, a menos que os habitantes da Amazônia adotassem uma política organizada para lidar com os incêndios, defendem Aragão e Shimabukuro. Eles sugerem ainda que a uso de técnicas modernas de agricultura, no lugar das tradicionais técnicas de queima e poda, poderiam diminuir o número de incêndios e, consequentemente, as emissões de dióxido de carbono.