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Notícias : O Pará da alta tecnologia convive com um outro, de pobreza e carências
em 08/02/2010 08:16:48 (390 leituras)




O Pará da alta tecnologia convive com um outro, de pobreza e carências


Para planejar o desenvolvimento, seja de um país, região ou Estado, é questão basilar a realização de um amplo diagnóstico do espaço objeto da intervenção. Para intervir corretamente é necessário conhecer adequadamente. Ou seja, para prescrever políticas públicas eficientes e eficazes, é fundamental, dentre outros elementos condicionantes, a existência de um diagnóstico claro dos entraves que limitam o dinamismo econômico e potencialidades que podem ser indutoras de virtuosidades. Sem ter a mínima pretensão de expor um diagnóstico completo do Estado do Pará, este artigo procura apresentar apenas uma, dentre múltiplas questões que precisam ser consideradas, ao se pensar o planejamento do desenvolvimento do Estado: os vetores de impactos recentes em sua economia.



Recentemente, o ordenamento econômico e espacial do Estado tem sido conduzido pelo dinamismo do agronegócio, pelo processo de verticalização da produção mineral, principalmente o Projeto Salobo, em Marabá; o Projeto Onça Puma, no município de Ourilândia do Norte, e a implantação de uma usina siderúrgica em Marabá, além das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.



Especificamente em relação às obras do PAC, estas procuram: ampliar a infraestrutura existente com a finalidade de integrar o território do Estado e melhorar as condições de interligação do Pará com os demais Estados do Norte e Centro-Oeste, reduzindo os custos de transporte de cargas; ampliar a infraestrutura hidroviária, estruturando um corredor exportador da produção regional, propiciando o aumento da competitividade regional; e expandir o acesso fluvial aos municípios da região amazônica, beneficiando o transporte de passageiros e de cargas, ao longo de todo ano e com maior segurança e eficiência.



Dentre as principais obras do PAC para o Estado, convém destacar: a pavimentação da BR 163 (Cuiabá-Santarém) e da BR 230 (Transamazônica); a construção da Hidrelétrica de Belo Monte; a conclusão das eclusas de Tucuruí; o prolongamento da Ferrovia Norte-Sul (ainda em fase de estudo); a ampliação do Porto de Vila do Conde (construção da rampa roll-on roll-off); a construção de terminais hidroviários (Santarém, Monte Alegre e Breves); e as linhas de transmissão de energia elétrica Tucuruí-Macapá-Manaus e Marabá-Serra da Mesa.



Em que pese este cenário econômico em grande parte promissor, o Pará, com um PIB estimado para 2007 em torno de R$ 49,5 bilhões - equivalente a 1,86% do PIB nacional -, e com um PIB per capita de R$ 7.007,00, ainda se constitui como uma típica região periférica ativa da economia mundial, com os seus baixos índices de desenvolvimento decorrendo diretamente do processo histórico de ocupação da Região Amazônica. Este processo de ocupação acabou conformando uma sociedade que tem como característica deter uma economia eminentemente fundada em interesses exógenos, que se aproveitam de suas riquezas naturais, principalmente de sua biodiversidade, de sua riqueza mineral e de seus recursos hídricos, exportando produtos com baixo valor agregado e energia barata para o restante do país; em paralelo com a baixa internalização relativa da riqueza e da renda gerada.



O desafio a ser enfrentado é que todo esse potencial não tem conseguido se efetivar através da gestação de encadeamentos internos, de forças centrípetas e centrífugas e da conformação de fluxos mais densos entre os agentes regionais. A verticalização da produção também não é significativa a ponto de conferir maior agregação de valor aos produtos regionais, empregos mais qualificados, ampliação da base econômica e diversificação da pauta de exportação.



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