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Notícias : OESTE DO PARÁ – Infelizmente, nada mudou
em 01/03/2010 11:50:51 (3493 leituras)





Pouca coisa mudou na BR-163: pontes quebradas,



 estrada esburacada e população acomodada.




OESTE DO PARÁ – Infelizmente, nada mudou




Decepcionado. Foi como voltei do Estado do Pará, mais especificamente da região oeste, onde fui passar os 15 dias de férias que tirei agora na primeira quinzena de feveveiro. Foram 13 anos sem retornar à região de Novo Progresso, Itaituba, Trairão, Rurópolis e Santarém. Não havia retornado à BR-163 desde que desembaraquei em Boa Vista no dia 15 de fevereiro de 1997. Nesse período, pouquíssima coisa mudou naquela região, especialmente na rodovia que liga Santarém à capital de Mato Grosso, Cuiabá, a BR-163. Na verdade, o Governo apenas madou fazer terraplenagem, construiu algumas pontes (de madeira, claro) e iniciou o asfaltamento da rodovia. Claro que a obra parou, pela milésima vez, sem nenhuma explicação plausível, apesar de o Governo Federal ter liberado milhões de reais, por diversas vezes, para a pavimentação daquela via tão importante para o escoamento da produção do Centro/Sul do país, por meio do porto de Santarém. Asfalto mesmo só existe em dois trechos: 130km entre Santrém e Rurópolis e mais cerca de 50km entre o Km 30 e o Igarapé Itapacurá Grande.





O restante da rodovia continua do mesmo jeito: esburacada, lisa e com vários pontos de atoleiros. O pior é que a população parece que já acostumou com essa situação, que nem reclama. Apo invés disso, apenas se prepara para enfrentar mais um período de fortes chuvas na região. Lá, como aqui em Roraima, não tem períodos de estações definidas (inverno, primavera, verão e outono).



Naquela região só existem dois períodos: chuva e Sol. Aliás, há dois meses chove na região oeste do Pará. Isso significa que viajar de ônibus com ar condicionado pelas rodovias BR-163 (Cuiabá-Santarém) e BR-230 (Transamazônica). Na verdade, já está difícil. O trecho entre Santarém e Novo Progresso (770km) é quase a mesma distância entre Boa Vista (RR) e Manaus (AM). Entretanto, o tempo de viagem lá é o dobro daqui. Enquanto se leva 11 ou 12 horas entre Boa Vista e Manaus, a viagem entre Santarém e Novo Progresso dura quase 24 horas.






Sede do Município de Trairão (PA) - o mesmo aspecto de Velho Oeste americano.





E as vilas e cidades localizadas ao longo da estrada? Lamentável a situação em que se encontram, sem nenhuma perspectiva de crescimento, de melhoria, de pavimentação, ou infraestrutura urbana. Novo Progresso, ao contrário, foi a única cidade onde se percebe algum crescimento, alguma melhoria. Lá, a nova administração municipal está mostrando serviço, mudando a cara da cidade. Obras são vistas por toda a parte, construindo praças, pavimentando ruas, áreas de lazer, etc.






Vila de Caracol (Município de Trairão).





Já a cidade de Trairão e as vilas de Caracol, Km 30 e Miritituba continuam do mesmo jeito de 13 anos atrás: com aspecto de abandonadas. Quando se desembarca nessas duas localidades, a impressão que se tem é que se está numa daquelas cidades abandonadas do Velho Oeste americano. Muita poeira e casas velhas são o cartão-postal. Em Miritituba, apenas uma praça foi construída à margem do Rio Tapajós, próximo à parada da balsa.






Novo Progresso (PA) virou canteiro de obras.





Ah, já ia esquecendo: a energia da Hidrelétrica de Tucuruí finalmente chegou à região. Itaituba, Santarém, Trairão Novo Progresso já contam com energia confiável, além de algumas vilas. Essa foi uma grande conquista daquele povo tão sofrido. Desde que tomei consciência (já tenho 40 anos de idade) que a região Oeste do Pará luta por três questões: a pavimentação da BR-163, a energia de Tucuruí e a criação do Estado do Tapajós. Também sempre disse que se qualquer uma dessas questões fosse resolvida, puxaria das demais. Com a energia instalada e já beneficiando aquela população, torcemos para que a estrada finalmente seja asfaltada e o Estado do Tapajós criado.



O trecho da BR-163 entre Rurópolis e Santarém é o mais crítico da rodovia. Na altura do km 150, uma ponte está prestes a desabar e os caminhoneiros e motoristas de ônibus precisam ter um cuidado ao atravessá-la. Mas esse, na verdade, não foi o único problema que encontramos naquele trecho. No retorno à Santarém, no dia 10, nos deparamos com uma carreta atravessada na estrada, no km 201. O motorista não deu conta de subir a estrada escorregadia e a carreta desceu de ré. A tragédia só não foi maior porque o motorista conseguiu atravessar o carro na estrada antes que este caísse direto no igarapé no vale do rio. Foram quase quatro horas de tráfego interrompido até que uma equipe do Exército conseguisse retirar a carreta e liberar a estrada.






Travessa Mogno, bairro de Maracanã, em Santarém (PA). O abandono é total.





Em Santarém, a decepção ficou por conta das péssimas condições das ruas da periferia da cidade. Asfalto só existe nos bairros mais centrais da cidade. Nos demais bairros, a população tem que conviver com a poeira e a areia. Na Travessa Mogno, no Maracanã, um dos bairros onde moramos por vários anos, o mato tomou de conta da via e nem carro de passeio passa pelo local. Ou seja, ao onvés de o bairro evoluir, com infraestrutura e saneamento básico, regrediu para uma situação ainda pior que há 13 anos. Lamentável isso. Entra e sai prefeito e a situação só piora. A impressão que se tem é que o Município não arrecada e nem recebe um centavo sequer de repasse do Governo Federal para investimento na cidade.



Santarém é a cidade da minha paixão. Fico triste ao vê-la abandonada. Uma cidade que almeja ser capital de um Estado que nascerá grande, forte e economicamente viável para a Região Norte do país, merece ser tratada com mais respeito e carinho por parte de seus administradores.



Não há como não comparar com o Estado de Roraima. Quem conhece os dois Estados, tem a impressão que os políticos de Roraima vieram de um planeta diferente dos do Pará. É claro que a população desses dois Estados também têm sua parcela de contribuição, ou culpa pela situação de ambos. Enquanto em Roraima se vê um certo empenho em melhorar as condições de vida da população (é evidente que tudo isso se conquistou com muita cobrança), no Pará parece que ocorre exatamente o contrário. Alguma coisa está errada e a população precisa ficar atenta para a liberação de recursos para poder cobrar de seus políticos que sejam feitos os investimentos necessários à melhoria de sua qualidade de vida.



Sim, eu estava de férias,  mas há certas situações que gritam, berram, pedem socorro e não podem fugir à vista de um jornalista.



Wirismar Ramos – da Redação FatoReal:



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