No Dia de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, Pará já registra cinco acidentes em 2020

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ONG Orvam ajuda na recuperação da autoestima de ribeirinhos vítimas de escalpelamento no Pará — Foto: Reprodução/Orvam

Acidente comum nos rios da Amazônia, o escalpelamento deixa marcas, físicas e emocionais em centenas de pessoas no estado.

Acidente comum nos rios da Amazônia, o escalpelamento deixa marcas, físicas e emocionais, em centenas de pessoas no Pará. Como forma de conscientizar sobre esse tipo de acidente, a data 28 de agosto foi instituída como o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Pará (Sespa), já são cinco acidentes este ano, ocorridos nas cidades de Muaná, Afuá, Portel, Ananindeua e Oriximiná. O número aponta diminuição de 61% em relação ao ano anterior.

O escalpelamento ocorre quando o eixo desprotegido do motor de embarcações arranca bruscamente o couro cabelo, o escalpo, de onde origina-se o termo escalpelamento.

No Pará, a capital Belém e as cidades de Breves, Cametá, Muaná, Curralinho e São João da Boa Vista são as que possuem o maior índice de acidentes do tipo, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT).

Segundo dados da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental (CPAOR), 93% dos casos de escalpelamento da região amazônicas têm mulheres como vítimas. Destas, 65% são crianças, 30% adultos e 5% idosos. O índice sinaliza sobre questões culturais que precisam ser repensadas.

No Pará, não há lei que obriga os eixos de motores a terem proteção.

Um pequeno descuido associado à negligência de condutores fez de Ane Almeida uma das vítimas do acidente, quando tinha apenas 15 anos.

“Fui secar a água do barco e na hora que eu me abaixei, meu cabelo estava preso com rabo de cavalo e enrolou no eixo. Tive a perda total do couro cabeludo, parte do rosto e fratura em um dos braços”, relembra.

As marcas deixadas nas vítimas de escalpelamento não são apenas físicos. Segundo a psicóloga Jereuda Guerra, “muitas vítimas desenvolvem síndrome do pânico, de ansiedade, transtorno de angústia em relação ao acidente. O próprio desenvolvimento cognitivo das crianças, a aprendizagem, a memória recente, são afetadas”.

O escalpelamento também perpassa por questões de política pública e de gênero. “Durante décadas só se falou do escalpelamento como uma questão estética e não é. Precisamos olhá-lo como uma questão de política pública, como um acidente de trabalho, e como um acidente de gênero, porque ele atinge mulheres de qualquer idade”, afirma.

No contexto paraense, em que o território é tomado por rios, os cuidados devem ser redobrados. “Os nossos rios são nossas ruas e, como tal, a gente tem que ter cuidado. Da mesma forma que tenho que olhar para os lados para saber se eu posso atravessar uma avenida, tenho que ter cuidados ao entrar numa embarcação, mesmo nas pequenas”, disse a promotora de Justiça Suely Catete.

Orvam e doação de cabelos

A Organização dos Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor (Orvam) ajuda, desde 2011, a promover a autoestima e identidade de vítimas de escalpelamento, por meio da inserção no mercado de trabalho, cuidados psicológicos, atividades de reintegração social e consultas médicas.

A instituição, sem fins lucrativos, produz e desenvolve perucas, um item único no processo de recuperação da autoestima. As perucas são confeccionadas com cabelos doados, que podem ser tanto naturais, quanto com química ou tingidos.

Para doar, é necessário que o cabelo esteja totalmente seco e limpo, para não correr risco de mofar, e preso a um elástico, para assegurar que os fios não soltem. O corte, de no mínimo 30 cm de comprimento, deve ser feito um dedo acima do elástico.

As doações, tanto de cabelo, quanto de dinheiro e de itens como roupas, sapatos, materiais de higiene pessoal e materiais de limpeza, podem ser feitas na sede da instituição, localizada na avenida João Paulo II, no bairro Castanheira, em Belém.

Medidas Preventivas

O escalpelamento pode ser evitado com uma medida preventiva simples: a proteção adequada de eixos de motores de embarcações. O item, assim como a instalação, é disponibilizado gratuitamente pela Marinha.

Na pele de quem já viveu essa tragédia, Ane Almeida avisa que todo o cuidado é pouco para uma prevenção efetiva. “É prender o cabelo, colocar touca, boné e não se aproximar do motor, porque por qualquer descuido, acaba acontecendo”, ressalta.

Conscientização

Como forma de conscientizar e evitar ocorrências do acidente, o MPT realiza nesta sexta-feira (28) uma série de ações do Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.

Além de materiais informativos veiculados nas redes sociais do MPT, foi produzido uma edição especial do podcast Prosa do Trabalho sobre o tema.

Em caso de emergência, é possível entrar em contato com o Disque 185.

Violações relacionadas às medidas preventivas ou situações de discriminação no trabalho sofridas pelas vítimas de escalpelamento também podem ser denunciadas pelo aplicativo MPT Pardal ou pelo site

Por G1 PA — Belém

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