Propina em conta de secretário, contratos fraudados e dinheiro vivo motivaram operação contra governador do Pará

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Operação da PF faz buscas no gabinete do governador Helder Barbalho Foto: Divulgação/PF

Com autorização do STJ, Polícia Federal e PGR cumpriram mandato de busca e apreensão no gabinete de Helder Barbalho (MDB) e prenderam secretários do governo

As provas colhidas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a existência de uma organização criminosa e de um esquema de corrupção na gestão do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), incluem transferência de suposta propina direto para a conta de um secretário, mais de R$ 700 mil apreendidos em espécie na casa de um ex-secretário, conversas por celular e fraude até mesmo em contrato para distribuição de cestas básicas aos afetados pela pandemia do coronavírus.

Com base nesses elementos, a PF e a PGR cumprem nesta terça-feira nova fase de operação contra Helder. As medidas autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) incluem busca e apreensão no gabinete do governador e prisão temporária de secretários. A PF aponta Helder como um dos integrantes de uma organização criminosa que tem desviado recursos do governo paraense.
A investigação aponta o empresário Nicolas André Tsontakis Morais como o principal elo criminoso entre os grupos empresariais e a cúpula do governo do Pará. Alvo de prisão temporária nesta terça-feira, Nicolas mantinha contato direto com Helder Barbalho e outros integrantes do governo.

A PF detectou transferências de Nicolas diretamente para a conta do secretário de Transportes do governo, Antônio de Pádua de Deus Andrade durante o segundo semestre do ano passado. O secretário também foi alvo de prisão temporária. Esses repasses totalizaram R$ 331 mil. “No mesmo período do repasse de valores ao secretário de Transportes, Nicolas André Tsontakis Morais recebeu quase R$ 8 milhões repassados pela empresa Prohende MHK Engenharia, contratada pela Secretaria de Transportes do Pará, mediante dispensa de licitação, para execução de obras de adequação e manutenção de uma ponte, com valor estimado em mais de R$ 25 milhões”, escreveu o ministro Francisco Falcão em sua decisão que autorizou as buscas e as prisões.

Os investigadores também encontraram, ao realizar buscas e apreensões na fase anterior da operação, em junho, altos valores em dinheiro vivo na residência de Peter Cassol Silveira, ex-secretário adjunto de gestão administrativa da Secretaria de Saúde: R$ 748.450,00. A investigação aponta que ele “tinha função importante no esquema criminoso, notadamente na montagem e fraude dos procedimentos licitatórios no âmbito da Secretaria de Saúde do Pará, incluindo o caso dos respiradores pulmonares”.

A PF também encontrou uma mensagem suspeita no celular de Peter Cassol, que apontou como indicativo do pagamento de propina ao secretário de Saúde Alberto Beltrame. Ele enviou a seguinte mensagem para uma assessora da Secretaria de Saúde: “Quanto a SKN depositou para você passe para o Beltrame também”. “Trata-se de forte indicativo do pagamento de propina por parte da empresa SKN Importação e Exportação de Eletrônicos”, aponta a investigação. Essa empresa era responsável pela venda de respiradores ao governo do Pará. Peter Cassol foi preso temporariamente.

Outro secretário sob suspeita, também preso temporariamente, é Parsifal de Jesus Pontes, ex-secretário da Casa Civil e atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia. A investigação detectou uma suposta tentativa de compra de imóvel com R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo, de acordo com a decisão do STJ. A investigação também apontou que ele registrou uma transação imobiliária suspeita: a suposta venda de um apartamento para um laranja de Nicolas André.

A PF afirma que Parsifal, apesar de estar na Casa Civil, envolvia-se diretamente com contratos das áreas da Saúde e da Educação sob suspeita de fraudes. Dentre eles, a construção de hospitais de campanha e a aquisição de cestas básicas para distribuição às famílias de estudantes da rede pública de ensino durante a pandemia do Covid-19. O contrato para aquisição dessas cestas básicas foi de R$ 73 milhões e já era alvo de uma outra investigação.

A investigação também aponta suspeitas do envolvimento direto de Helder Barbalho nas negociações desses contratos, mantendo interlocução com Nicolas André. Segundo a investigação, Helder definiu as organizações sociais que ganhariam os contratos para construção dos hospitais de campanha antes mesmo do processo formal de escolha das empresas.

“Restou comprovado, também, que Nicolas e Parsifal, bem como os demais membros da Orcrim, se reuniram com o governador antes dos respectivos chamamentos públicos, de modo que quando houve a instauração do procedimento para a seleção das organizações sociais que administrariam os hospitais, tudo não passou de um ato pró-forma, dado que, ao que tudo indica, o grupo criminoso de São Paulo já havia acertado o esquema criminoso previamente com o governador e o chefe da Casa Civil”, escreveu a PF.

Fonte:O Globo/ Aguirre Talento
29/09/2020 – 13:12

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