Jovem de 19 anos volta de Manaus para cuidar dos irmãos após morte dos pais, avó e bisavó por Covid-19 em Faro, no PA

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Na primeira foto: Zaynny com os pais Zander e Elriane; na segunda foto: em destaque a avó Maria Varela Guerreiro e Zaynny — Foto: Reprodução/Facebook

O distrito Nova Maracanã, em em Faro, oeste do Pará, sofreu com falta de oxigênio na semana passada.

“Não vai ser fácil, mas eu vou conseguir seguir firme com meus irmãos. Eles precisam de mim”. Com essa frase, Zaynny Paulain, 19 anos, prestou uma homenagem aos pais, que morreram de Covid-19, em suas redes sociais.

Devido às restrições de viagem do Amazonas ao Pará, a garota, que estava morando em Manaus para onde foi estudar e trabalhar, não conseguiu chegar a tempo para o enterro dos pais. Mas, agora, ela voltará a viver em Faro para cuidar dos irmãos: uma menina de 12 e um menino de 16 anos.

Zander Pereira Batista, 39 anos, e Elriane Guerreiro Paulain, 33 anos, pais de Zaynny, morreram dia 19 de janeiro, no distrito Nova Maracanã, em Faro, oeste do Pará, após complicações da Covid-19. Pouco tempo antes, Zaynny já tinha perdido a bisavó, Inacia Guerreiro Paulain, e a avó, Maria Varela Guerreiro, para a mesma doença.

Por dias, desde 14 de janeiro, Zaynny postava em suas redes sociais apelos desesperados para que autoridades providenciassem oxigênio para Faro e o distrito de Nova Maracanã, onde pessoas estavam morrendo. “Por favor Deus faça com que chegue esse oxigênio, vidas estão em jogo. Já perdi duas pessoas, ainda tem meus pais, meus tios, pessoas que estão precisando”, dizia mensagem postada no Facebook no dia 18, véspera da mortes dos seus pais.
Zaynny estava morando em Manaus e há pouco tempo havia conseguido emprego e pretendia iniciar uma faculdade. Mas com a morte dos pais, bisavó e avó, a jovem se viu diante da responsabilidade de voltar ao local de nascimento para cuidar dos irmãos que estão sob os cuidados de tios no distrito Nova Maracanã desde a internação de Zander e Elriane.

“Meu coração está em mil pedaços. Que Deus me dê forças, pois ainda tenho que ficar de pé pelos meus irmãos”, pediu Zaynny Paulain.

Para retornar a Faro, Zaynny contou com o apoio de amigos e familiares que se mobilizaram em uma vaquinha para arrecadar dinheiro para as despesas da viagem. A previsão é de que a garota chegue ainda nesta sexta-feira em Nova Maracanã, onde é aguardada pelos irmãos. A previsão é de que ela chegue a Faro neste fim de semana.

Zaynny sabe que não será fácil assumir a responsabilidade de chefe de família, mas acredita que será guiada espiritualmente pelos pais na missão de cuidar dos irmãos.

“Eu tô tentando entender tudo o que aconteceu Tô sofrendo muito, muito muito mesmo. Tô buscando forças que eu achava que não tinha, mas acredito que eles (pais) estão segurando minha mão pra lidar com meus irmãos e com tudo isso”.
Colapso em Faro

O colapso na rede de saúde do município de Faro se tornou público no início da semana e ganhou repercussão nacional após os apelos desesperados de moradores que viralizaram nas redes sociais. Embora a prefeitura de Faro negue que as mortes tenham ocorrido por falta de oxigênio, em nota oficial o município informa que a atual gestão recebeu apenas 8 balas de oxigênio no hospital municipal e que apenas 5 estavam cheias.

O hospital municipal não estava atendendo pacientes de Covid-19 e no distrito Nova Maracanã, onde houve o registro do maior número de pacientes com o quadro grave de sintomas da doença, a unidade básica de saúde trabalhou na base do improviso para atender mais de 30 pacientes.

O governo do estado providenciou socorro imediato ao município com o envio de 30 cilindros de oxigênio e atendimento no barco-hospital Papa Francisco, que foi deslocado para Nova Maracanã após a morte da bisavó, da avó e dos pais de Zaynny Paulain.

Na manhã de quinta-feira (21), o governador Helder Barbalho foi pessoalmente a Faro e visitou o distrito Noa Maracanã onde viu que 35 pacientes estavam sendo atendidos em condições precárias. O governo então providenciou quatro aeronaves para fazer o transporte dos pacientes mais graves para os hospitais de Santarém, Juruti e Itaituba, em um total de 15 pessoas.

E nesta sexta-feira (22), Helder anunciou que pediu ao Ministério da Saúde e já foi aprovado um número extra de doses da vacina contra a covid-19 para imunizar pessoas dos grupos prioritários nos municípios do extremo oeste do Pará, na divisa do estado do Amazonas, principalmente em Faro, onde o número de leitos já é bem inferior ao de pessoas infectadas que precisam de internação, e o risco de contaminação é alto.

*Colaborou Adriana Marinho, da produção de jornalismo da Tv Tapajós

Por:G1

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