‘Surubão’ do Arpoador: por quais crimes podem ser presos praticantes de sexo em locais públicos? Entenda
‘Surubão’ do Arpoador — Foto: Reprodução/ X
Pelo menos cinco bairros do Rio funcionam como ponto de encontro para atividade; prática é crime previsto no Código Penal
Fazer sexo ao ar livre e em público pode dar problema. Os envolvidos no “surubão” do Arpoador, na virada do ano, agora estão sendo procurados pela Polícia Civil do Rio. As imagens que viralizaram nas redes sociais mostrando homens praticando sexo em grupo, são analisadas pelos agentes da 14ª DP (Leblon). De acordo com o artigo 233 do Código Penal Brasileiro, a prática de ato obsceno em lugar público ou espaços abertos coletivos é crime, podendo ocasionar detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa.
O Direito Penal prevê que para ser configurado o crime, não necessariamente o ato sexual deve ser observado por várias pessoas no momento da sua prática. Ou seja, basta que o ato obsceno seja praticado em um local onde existe a possibilidade de ser visto por várias pessoas, mesmo que ninguém esteja ali para testemunhar aquele momento específico.
Segundo a polícia, a investigação vai apurar os possíveis crimes cometidos no caso do Arpoador. Um equipamento de reconhecimento facial do Instituto de Identificação Félix Pacheco está sendo usado para ajudar a identificar os envolvidos.
A prática de fazer sexo em público e com desconhecidos tem nome: dogging. E ela acontece nos bairros do Arpoador, Botafogo, Aterro do Flamengo, e a região da Reserva. Até a Ilha do Governador, na Zona Norte da cidade, tem um cantinho, ainda misterioso.
O Mirante do Pasmado, em Botafogo, é um desses lugares. Os banquinhos de madeira na calçada, logo na entrada do mirante, são a primeira parada. É para os mais aventureiros, já que é mais exposta à rua. A vista é para a Praia de Botafogo. Ali perto, seguindo por uma pequena trilha, outros dois bancos de madeira prometem um pouco mais de privacidade. O point mesmo é descendo a trilha, em um platô, com o visual do Pão de Açúcar — e outras coisas — para apreciar.
— É um lugar mais reservado e seguro para quem gosta da prática. As pessoas chegam devagar, vão olhando em volta e perguntam se podem descer e participar. Às vezes já tem muita gente, aí tem que esperar. Tem muito casal de classe alta que vem pra namorar — disse um praticante que preferiu não se identificar.
Apesar disso, é discreto. Há dois anos frequentando o jardim do Museu do Holocausto, que fica no mirante, uma moradora comentou que não testemunhou nenhum ato sexual, mas já ouviu falar da movimentação.
— Eu nunca vi, mas já ouvi falar de gente que vem e sei de outras pessoas que já comentaram sobre isso também.
Os horários são alternativos e, na maioria dos casos, as práticas acontecem durante a madrugada, entre 22h e 6h — uma forma de preservar os praticantes, e o público. A prática, segundo o frequentador, existe no Rio há pelo menos 30 anos.
— É fetiche. As pessoas têm esse tipo de fantasia sexual, de fazer sexo com espectadores, de ver o parceiro ou a parceira com outro. Tem uma colega que já desce do carro de calcinha, ela diz que adora se sentir desejada. A graça é ser visto em ambiente aberto — conta ele.
Tem alguns códigos. Os interessados se aproximam devagar, observando o entorno e, às vezes, conversam com quem estiver presente para entender como está a situação. Em geral, as mulheres vão de vestido ou saia. Se for dentro do carro e a luz estiver acesa, pode assistir. Se a janela estiver aberta, pode passar a mão em quem estiver fazendo sexo, desde que com o consentimento. E se a porta estiver aberta, outras pessoas podem participar.
Entre a Ilha 2 e a Ilha 3, na Praia da Reserva, na Zona Oeste, tem outro ponto de encontro de dogging. Em um deck, não é incomum a presença de homens que vão só para assistir a outros homens tendo relação sexual. É o “after” de parte dos frequentadores, que saem de casas de suingue da região para a prática ao ar livre.
Tem também os que preferem uma dose a mais de adrenalina, e encaram a madrugada em lugares perigosos, como o Aterro do Flamengo, mesmo com alto risco de assaltos.
— Tem gente que tem tesão em viver essa tensão e o perigo. É mais adrenalina, e isso excita. Cada um com seu cada um. É um pouco do caráter transgressor também, de fazer algo proibido. Tem gente que faz até live durante o ato — afirma o frequentador.
Relembre o ‘surubão’
Nos primeiros dias de 2025, um vídeo que mostra pessoas fazendo orgia no Arpoador logo após o réveillon viralizou nas redes sociais. A gravação foi feita nas pedras do Arpoador, e a ação passou a ser denominada de “Surubão” do Arpoador, como publicado no blog True Crime.
Na última sexta-feira, a 14ª DP (Leblon) abriu um procedimento para investigar o caso. De posse das gravações, os policiais estão tentando identificar as pessoas que participaram do sexo em grupo.
Ao GLOBO, a Guarda Municipal do Rio informou que tenta coibir as práticas de atos obscenos e atentados ao pudor através do patrulhamento em diversas áreas.
“A Guarda Municipal, em casos como esses, caso haja o flagrante, conduz os suspeitos para a delegacia da área, por se tratar de uma prática proibida. Equipes do Grupamento Especial de Praia (GEP) da GM-Rio atuam no patrulhamento das praias da cidade com foco no ordenamento urbano e também na segurança dos cidadãos”, informou a Guarda Municipal, por nota.
Fonte: Extra — Rio de Janeiro e Publicado Por: Jornal Folha do Progresso em 09/01/2025/14:39:32
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